sábado, novembro 30, 2013

Partilha 159

(céu carregado)  


Certas flores pendem das suas copas como vinhos de tal modo ébrios de si mesmos que contrariam a lei da gravidade ficam anos a fio nas pipas, essas flores de uma só estação. E também velas que se acumulam acesas, ninguém morreu, deus não precisa de existir, velas a nada ancoradas a não ser ao seu fazer sopro. E também distantes banhos de espuma, onde há de um dia o Fortuna fazer propaganda a um sabonete quase metafísico. Um mundo infinitamente suspenso, infinitamente maduro. Puta que pariu, é preciso dizê-lo: são monções de beleza como as que se diz que existem nas Índias mal localizadas.

sábado, novembro 23, 2013

"La passion de Jeanne d'Arc" - imagens





O INATUAL 82

"La passion de Jeanne d'Arc" - Carl Theodor Dreyer (1928)



Quando Cristo desceu à Terra, trouxe com ele uma inquietação política muito concreta, aquela que desconfia da possibilidade de algum humano poder ocupar o posto de juiz na causa de outro humano. Mas como a História se escreve por linhas irónicas, a Igreja que em seu nome foi fundada acabou por instituir o seu próprio tipo de tribunal e de, através dele, conjugar Julgamento e Paixão na ofensiva concertada a múltiplas reencarnarções do mártir inicial. "Cristo" continua a ser julgado e é, de novo, um inside job.

É isso que Dreyer, religioso muito ciente da intolerância que espreita a cada canto da religião, aborda neste seu celebérrimo filme, por via da encenação dos registos históricos do processo com que a Igreja queimou a esperança e o corpo da jovem Joana d'Arc. A suposta santa é sobretudo uma imensa teimosa, como o Johannes de "Ordet", como "Gertrud", e como eles a sua aristocracia resulta de uma adesão a um Bem tão pouco banal que provoca uma reação de aflita falta de fé naqueles que têm a tarefa de os verem viver. Acima de tudo, o que Joana não aceita é o compromisso de que a entendam como emissária do Mal, e assim em nome da candura se reclama apenas mal-dita, mal-pronunciada.

O filme tem um conceito estruturador tão precisamente legislado quanto preciosamente executado pela imaginação ad hoc de um grande governante das formas. Enquanto encenação de um processo, de um esquema simples de pergunta-resposta, a montagem da obra reparte-se essencialmente entre os planos que nos dão a ver Joana, a interrogada (planos fixos, longos, lentos, solitários, em todos os cenários escolhendo um branco despojado como fundo) e aqueles que registam a azáfama dos acusadores (variedade inesgotável de rostos, movimentação de câmara, opções de mise en scène renovadas a cada instante). É, como já uma vez escrevi, a estrutura de mil contracampos a girarem em torno de um poderoso campo de atração. E a cada momento se renova a maneira de regressar a essa estrutura, a esse parti pris obsessivo e quase único.

Praticamente não há planos que Joana partilhe com outras personagens. Se, em "Gertrud", vamos assistir a diálogos em que os conversadores nunca olham uns para os outros, em "La passion...", muito antes da consciencialização do poder semântico do plano-sequência, são os cortes de montagem (as linhas do enquadramento) que separam os dialogantes, que lhes impedem uma relação de saudável imanência. A solidão de Joana (a sua proximidade das lágrimas, a graça enlouquecida que a parece iluminar a partir de dentro) é por isso constitutiva da radicalidade do seu legado.

Não podemos hoje ouvir as palavras históricas que foram pronunciadas no processo de Joana d'Arc (apesar de conhecermos os seus registos escritos). Mas podemos sofrer os fantasmas dos rostos humanos que as terão pronunciado. Talvez a ontologia do cinema sonoro tenha permitido a Dreyer encenar o mais justo milagre da história do cinema por ação da mais simples Palavra. Mas "La passion..." não é menor desafio ao momento mudo da história do cinema, na medida em que inventa a intensidade e a utopia da palavra mental, daquela que passa de coração para coração sem ter qualquer necessidade de possuir um corpo acústico. Será este filme os antípodas de "Der letzte Mann" de Murnau? Eventualmente, mas a verdade é que parece haver algo que une o ser o último dos homens ou das mulheres à necessidade que a  palavra tem de se aproximar da sua fronteira espectral, do silêncio.

segunda-feira, novembro 18, 2013

Partilha 158

(lógica da porcelana) 


Composto de champanhe, ele inclina-se até à noite para não fazer espuma dos dias. Falo do sol. Sim, a terra é uma imensa casa solarenga que foi ocupada por intratáveis. Eu continuo a cuidar do meu precioso vaso da dinastia Orquídea, no qual a semente primeira deu à luz toda uma heráldica de estações, cores e oferendas inúteis. Não, não sou um tard-venu, sou um ejaculador Precoce.

sábado, novembro 16, 2013

Adenda ao post anterior

No caso do cinema, as conclusões são relativamente evidentes.

A ideia de banda sonora já está prevista nos espetáculos performativos como a ópera ou o teatro. Mesmo a música do século XX tentou explorar a linguagem falada ou semifalada, assim como o ruído e os efeitos sonoros, o que leva a que, pelo menos enquanto hipótese teórica, o compositor possa ser sempre considerado um criador de bandas sonoras que valem por si mesmas.

Pelo contrário, a imagem fotográfica em movimento é uma característica técnica que o cinema explorou de modo convincente pela primeira vez na história humana (o audiovisual é um seu derivado, e degenerado...) e que não tem paralelo em nenhum outro modo de poiesis.

Não quer isto dizer que um cineasta não possa pretender ser um criador sobretudo sonoro. Mas convém que aquela especificidade essencial não saia da cabeça de nenhum aspirante à sétima arte.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Se a essência é a história,...

... deverá haver conclusões a tirar dos factos de a poesia ter nascido oral e só depois se ter feito escrita e de o cinema ter nascido visual e só depois se ter feito sonoro.

sábado, novembro 09, 2013

Tê-los no sítio

No estado pré-humano da vida natural, não há espaço para a ética (uso o verbo haver no presente porque subsistem no planeta alguns redutos que podem ser qualificados de pré-humanos). Do fenómeno infinitamente elegante da polinização até às mais exuberantes estratégias predadoras, a vida (que surgiu toda da mesma sopa) tem de continuamente promover a comunhão entre os seres que a detêm para que neles possa permanecer. O animal que rasga a carne de outro animal e mancha a sua dentição com o sangue da vítima não faz mais do que cumprir essa benigna comunhão, esse regresso transitório e localizado ao espírito da sopa primordial que constitui a norma da sobrevivência. Uma norma tão isenta de piedade como de crueldade.

Sejam quais forem as teorias que a tentem explicar e regulamentar, a ética é um fenómeno de progresso especificamente humano que deriva da tomada de consciência que esse humano vai ganhando do sofrimento do outro. Nesse aspeto, a História universal é de facto um crescendo de vanguarda (com muitos retrocessos, claro). Lembremo-nos de como a personalidade jurídica devolvida ao escravo, a autonomia da mulher perante o género masculino ou as repercussões legais das uniões entre pessoas do mesmo sexo foram-são-e-serão conquistas tornadas possíveis quando um preconceito cede perante a tomada de consciência do sofrimento dos seres marginalizados. Mas durante muito tempo, a situação do homem de raça negra, por exemplo, era incapaz de comover as donzelas mais sensíveis e mais incapazes de apertar o pescoço de uma galinha.

A tourada (muito amada por intelectuais que muito amo) traz na sua identidade a pujança de um mundo de relações homem-animal que é anterior à consciência que hoje se encontra cada vez mais presente de que, mesmo para acudir às necessidades alimentares de um ser omnívoro como o humano, não é necessário infligir sofrimentos desnecessários ao animal. Nesse sentido, a tourada está a deixar de ser uma tradição respeitável para se tornar um anacronismo sem sentido. Ao primitivo, devemos ir buscar tudo, mas apenas isso, que possa iluminar o caminho para o futuro. Ainda haverá muita luta na arena do civismo, mas os aficionados que se preparem para o fim próximo do seu desporto pueril e cruel.

Dir-me-ão que o mundo está a ficar feminino. E eu pergunto: e depois?

domingo, outubro 27, 2013

Sobre poesia II

A poesia é também uma forma de nomear a riqueza (espiritual, sensual, existencial) em tempos de desespero. Ao contrário do que pensam alguns poetas, há de facto algum calor na palavra "sol". Mas não é o calor todo, claro.

Como não se pode viver apenas e sempre na imaginação, a poesia acaba por ser o campo de batalha que ao mesmo tempo a exalta e lhe denuncia a dolorosa incompletude. Algo que Mário de Sá-Carneiro assumiu com mais frontalidade do que Fernando Pessoa.


(Imagem de Kate Forrester)

sábado, outubro 26, 2013

Sobre poesia

Nunca me incomodou a tensão que deriva da teoria que defende (e bem) que a voz que fala num poema lírico não se confunde com a pessoa concreta (biográfica) do autor que a forjou. Pelo contrário, até acolho com alegria essa condição ficcional: ao longo dos quinze anos em que tenho praticado continuamente a escrita poética, sinto que me reinventei como pessoa, e que essa reinvenção espiritual é inseparável da imaginação lírica que com ela estabeleceu um diálogo criador.

Ao mesmo tempo, não encontro uma separação artificial entre a condição de fingidor do poeta e a possibilidade de formular uma verdade idiossincrática que as contingências da sua biografia lhe abriram como marca pessoal. A personagem fluida e mutante que escreve os poemas que eu escrevo aprendeu a dizer aquilo que a personagem escravizada que eu suporto na chamada vida real não tem conseguido exprimir. Por cobardia, tenho sabido viver, ainda assim, demasiado bem. Quando for destruído, será pela poesia que o serei, pela liberdade que nela ergui como se erguem Venezas em Las Vegas ou Louvres em Abu Dhabis. Sou eu que decido aquilo que me pode condenar.

Sobre cinema

1. Ao contrário do que parece ser a evidência para quase todas as pessoas que fazem ou sonham fazer cinema, as imagens tornadas possíveis pela sétima arte parecem-me ainda demasiado ricas em realidade. Quanto mais não seja, os corpos dos atores, se bem que dissolvidos na condição de fantasmas, impõem um regime de mimese demasiado perfeito, demasiado concreto. Eu, que continuo bem mais próximo de ser um sonhador do que um fazedor de cinema, sinto então que a única missão que conheço é a de tentar acrescentar o postiço, o ficcional, o virtual, a toda a matéria que o cinema acolhe com naturalidade.


2. Uma das razões pelas quais gosto de cinema enquanto espetador confunde-se com a gratidão. Sempre que procuramos um quarto com vista no espaço da vida, é muito difícil que essa vista contenha apenas-e-precisamente aqueles itens necessários para ela nos ser significativa. Há sempre um caixote de lixo a entupir a beleza pastoral da paisagem, há sempre uma flor silvestre a tentar sabotar a crueza pura da lixeira a céu aberto. Ora, os cineastas, através de um processo moroso, paciente, caro, por vezes mesmo arriscado, praticam a subtilíssima (e moral) arte do enquadramento. Por muito menos dinheiro do que aquele que teríamos de pagar por um quarto num Splendia Hotel, e por muito menos perigo do que aquele passaríamos numa pensão da Palestina, no cinema temos o direito transitório a uma janela já definida, pulsante de sentido e de coerência. Incapazes de vivermos todas as vidas, incapazes de vivermos todos os momentos que a vida nos pede, agradecemos.

(Imagem de Sean McCormick)

quarta-feira, outubro 23, 2013

Partilha 157

(speak easy)


Se me fizeres um botão de rosa, fá-lo de Santa Teresinha, que é mais apertadinha. Isto o que é: uma frase cómica, um dito porco, a surdina de um exercício de desafio? Não, é a prova decisiva para o Vaticano iniciar um processo de canonização. Nada como o desejo é menos cínico ou obsceno, nada tão digno do nosso empenho e da nossa fantasia. Claro, por vezes, um dos vários luthiers do instrumento se assume Stradivarius. É o timbre da excelência. Mas, assim como há fases da lua e da doença bipolar, como há flores e frutos, eufemismos, disfemismos e períodos do Picasso, deveria igualmente haver estações para foder e estações para amar. Tudo sem drama.

domingo, outubro 20, 2013

Partilha 156

(estilo, featuring Pharrell Williams) 


Nem a beleza doce do algodoal alivia a ferida do escravo que dela cuida, nem o arrozal liberta um pó capaz de maquilhar o céu e a terra com a dança da verdade. Ainda assim, as coisas brancas têm a generosidade daqueles universos que podem ser caligrafados com galáxias negras.

sábado, outubro 19, 2013

Pelo menos tantos planos quantas as letras do alfabeto

1. A comunidade não paga aos seus governantes, não lhes assaca o privilégio inexcedível do poder e não fecha os olhos perante a teia de interesses predadores que a partir desse poder eles constroem, para que esses governantes venham candidamente dizer que não têm alternativas.

2. O capitalismo é suportável, de facto, para aqueles que usufruem do seu conforto enquanto triunfadores relativos. Os portugueses estarão agora a sentir na pele o que é ser o oprimido no seio de um sistema capitalista.

3. Se não há alternativa dentro do capitalismo, talvez seja necessário propor uma alternativa ao capitalismo.

4. É doloroso assistir à invasão da linguagem no seu todo pelo linguajar de uma ideologia. O pensamento fica inquinado desde o seu nascer. Por exemplo, ainda não ouvi ninguém dizer que um incompetente, a despeito de ser incompetente, também precisa de sobreviver e de sobreviver bem.

terça-feira, outubro 15, 2013

Songlike

"It is reasonable to suppose that the first "lyrical" poems came into existence when human beings discovered the pleasure that arises from combining words in a coherent, meaningful sequence with the almost physical process of uttering rhythmical and tonal sounds to convey feelings."


The New Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics (edição de 1993)

segunda-feira, outubro 14, 2013

Vozes

Bach? Aquele senhor que compôs fugas de informação sobre a transcendência?

sábado, outubro 12, 2013

"The quiet man" - imagens





O INATUAL 81

"The quiet man" - John Ford (1952)


O velho fazedor de westerns tenta nesta obra filmar a Irlanda como filmava os Estados Unidos, não só em termos da mestria visual na encenação de grandes espaços de exterior (a que o verde da ilha esmeraldina traz uma ressonância rara em termos das virtudes do technicolor), mas sobretudo ao nível de uma opção pela lenda em detrimento do realismo. Para um irlandês, o esforço de Ford pode parecer eventualmente folclórico (os portugueses, que passam trezentos e sessenta e quatro dias por ano sem ouvir fado ou pensar na saudade, sabem o que isso é), mas, independentemente deste ou daquele detalhe mais constrangedor, a verdade é que o Homero do ecrã consegue aqui inventar um país ao mesmo tempo mítico e só seu, um lugar-cinema que se acorda ao seu discurso e dispensa veleidades documentais.

Ford tinha ascendência irlandesa (ele próprio se chamava Sean, como o personagem protagonista deste filme). "The quiet man" funciona, portanto, como uma evocação do passado, mostrando John Wayne e Maureen O'Hara a percorrerem aquelas paisagens intocadas como se fossem crianças em brincadeira. É uma estratégia cara ao conservador, claro, mas essa evocação equivale em rigor a uma oportunidade de geografia política: no imaginário do cineasta, e ao contrário do que a América do seu tempo talvez lhe pudesse oferecer, a Irlanda rural teria conseguido conservar até ao presente algumas evidências primitivas da possibilidade de vida em grupo.

O assunto está presente na maior parte desta filmografia, mas em "The quiet man" parece ter chegado ao nível da conscencialização por parte do seu autor, permitindo-lhe assumir toda a sua originalidade. Se a Irlanda-mito é equiparada a um paraíso, isso é porque nela as relações humanas seriam sobretudo governadas pelo humor. O dramalhão a que a backstory do boxeur levaria na cultura contemporânea americana é magicamente desfeito na magistral cena final que faz o filme passar da profecia trágica para uma celebração do gosto de viver (como "Le pas suspendu de la cigogne", "The quiet man" adquire toda o seu sentido e toda a sua comoção numa sequência de bravura conclusiva que ao mesmo tempo desvia o filme e o faz transcender-se a si mesmo). É o humor que permite viver em comunidade, que permite que as diferentes visões do mundo nunca entrem em colisão irremediável.

A presença de dois grupos religiosos não deixa dúvidas: Ford faz uma apologia exemplar do pequeno pecado, pois só a sua prática assumida e alimentada pode impedir o grande horror. É o gosto pela pancadaria viril, e não a sua abolição civilizada, que pode constituir uma válvula de escape contra o crime. O mesmo se pode dizer a propósito da pequena mentira, da bebedeira ou da curiosidade sensual dos namorados. Esta visão pragmática e tolerante da vida é o sinal mais evidente da moderação ideológica do cineasta, mas é também um sinal que o distingue e enobrece perante todos os políticos no ativo que militam pela moderação. Em todo o caso, ela tem de ser entendida em contexto: hoje, talvez Ford fosse um defensor dos perseguidos fumadores, mas talvez já não pudesse lançar mão do erotismo enquanto indutor de pequenos pecados...

A consumação do amor (mais até do que a sua fatura sexual) precisa sempre de passar por um conjunto de rituais prévios. Ainda que a chuva e o vento inundem o par com a poesia da sensualidade, esses rituais têm de ser cumpridos para que o amor seja sentido como ponto de chegada e ponto de partida. Nisso, Ford é nostálgico. Mas a coerência mantém-se: é preciso que os namorados fujam das regras de namoro que lhes pretendem impor, mas também é preciso que o façam com baby steps (passos de criança), que o façam governados pelo sentido de humor. Pergunto aos meus leitores quantos filmes já viram que tornem, como este o faz, o amor indissociável do humor? A cultura é que nos faz, é um facto, mas nós só a podemos refazer - o que é outro facto.

Um dos meus filmes favoritos.

quarta-feira, outubro 09, 2013

Três questões para Pedro Passos Coelho

Não tendo sido convidado para o programa que decorre neste momento na RTP, deixo aqui as perguntas, sintéticas e abrangentes, que gostaria de fazer ao senhor Primeiro Ministro de Portugal:


1. Acha que a elite nacional pode impor à restante população um conjunto de medidas indutoras de grande sofrimento sem que essas medidas a prejudiquem a ela própria? Se há uma justificação para a política que o governo está a praticar (até porque boa parte dessa política é definida por agentes estrangeiros), está o Senhor Primeiro Ministro disposto a assumir, para si e para os seus, as consequências destrutivas a que ela leva? Se vamos rever a Constituição, poderemos nela incluir, como elemento fundamental, a necessidade de todo e qualquer governante se ter de comportar mediante a obediência ao imperativo categórico tal como Kant o definiu na sua teoria moral?


2. Este é um tempo excecional que exige governantes excecionais que, mais do que serem meros gestores das adversidades que ameaçam o país, as tentem combater com uma coragem muito superior àquela que seria aceitável em tempo normal. O senhor considera-se um desses governantes, ou não passa de um funcionário do sistema e da contingência?


3. O senhor Primeiro Ministro tem consciência de que, após a sua governação, a sociedade portuguesa estará completamente transformada? Nomeadamente em termos do trabalho, tem noção de que a suposta mera gestão de uma crise está a levar a um aviltamento profundo do seu valor?

sexta-feira, outubro 04, 2013

Escolha sempre o humor

Quem desafia a monstruosidade do mercado das artes plásticas não é o autor conceptual, mas sim o falsário.