Antes de ter começado a minha especialização em Humanidades (no sentido de seguir a via de algo muito especial), tive de frequentar uma disciplina de estudos chamada Físico-Química.Aos treze anos, ninguém é tão pouco sério que consiga servir dois científicos senhores. Pois na verdade, a Química é a ciência da infância e das suas reacções contínuas através da adolescência, enquanto que a Física é assunto de gente madura, velha até, gente sisuda que pensa mais do que sente. Por isso, aos treze anos tive de estudar a ciência do que eu era na altura, e a ciência do que haveria de ser. Tudo isso fragilmente divido em semestres, exactamente como o ano fragilmente se divide em aurícolas e ventrílocos.
Aos treze anos, ninguém gosta de Física (excepção feita talvez ao capítulo da óptica, porque a luz chega veloz a qualquer idade). Aos treze anos, toda a gente gosta de Química. De qualquer modo, ajuda ter um professor que se não cortasse o cabelo pareceria um cientista alienado, detentor de um sotaque nada neutrão, e que contava sempre as mesmas piadas como se estas estivessem desde sempre e para sempre escritas numa tabela dos elementos do humor.
E claro: havia também as experiências: aquele potássio que cai sobre a água e provoca a primeira ejaculação.... E as explosões, tudo aquilo que o professor trapalhão não conseguia controlar, e que acabou por descambar em fogos-de-artíficio no momento e em fogos fátuos na memória.
Chegados à idade adulta, todos nos tornamos einsteins dessa coisa tão relativa que é a sobrevivência. No segundo semestre da vida, temos de fazer os testes decisivos, por vezes alcançamos sucesso, mas também aprendemos a reprovar. Não quer isto dizer que já não haja coisas para simplesmente provar: o gosto do saké, fazer surf mal feito na última onda antes dos quarenta, pensar que o filho pode ser um bandalho se o quiser, um corpo mais jovem que nos aflige, ficar apóstata, ficar apóstolo, ou simplesmente tolo. Pequenas e pobres coisas que um qualquer mistério vital torna preciosas, riqueza-humanidade, controlo da morte com factor C.
O envelhecimento transmuta a Química em Alquimia.























