
(Fotografia de Mapplethorpe)
Há quem defenda que a beleza é sempre efémera, e que o trabalho do artista só releva enquanto manifestação da tentativa vaidosa de atingir tal beleza. Assim, as flores da amendoeira, paradigmas do sublime, apesar de apenas durarem alguns dias, teriam um impacto infinitamente superior a qualquer poema, filme, ou quadro.

"Lady in the water" -M. Night Shyamalan
Muito se tem falado do imprevisível melhoramento da capacidade de representação de Penélope Cruz no último Almodóvar.
Uma abelha na chuva - Fernando Lopes (1971)
Numa conversa com um antigo colega da faculdade, ele falava-me de um escritor qualquer que, nos seus textos, por vezes mencionava termos ou desenvolvia conceitos extraídos da sua formação académica, formação essa que o dito teria repelido a favor de outros interesses.
Dizem-me que é preciso escolher entre Vida e Criação. Estas palavras não precisam de maiúsculas, mas quem mas diz, pronuncia-as assim. Parece que, afinal, a Vida tem um conteúdo perfeitamente identificável.
A passagem da arte figurativa para a abstracção pode, afinal, não ter sido uma evolução, nem mesmo a descoberta da essência pictórica, mas uma pequena deslocação do ponto de vista (da objectiva): do rosto para as nuvens, de uma garrafa para o fluxo da água corrente...
Para fechar o capítulo das minhas viagens por outras terras, transmito algumas impressões acerca das possibilidades de casting para "The tempest" de Shakespeare, peça sobre a qual já falei noutro post (recuso-me a chamar posta a isto...)
Segundo conta Danielle Darrieux, Max Ophüls (na foto) era um cavalheiro charmoso que tratava os seus actores de forma exemplar. A breve mitologia do cinema conta também que Cecil B. de Mille era um déspota irascível, sempre aos gritos com as pessoas que, por gentileza ou necessidade, trabalhavam para si. Conta, por fim, o lugar-comum, que o grande artista é sempre um temperamental filho da mãe que em tudo se opõe às propostas mais ou menos generosas da sua criação. Ora, na minha pouco modesta opinião, o cinema de Ophüls é mil vezes superior ao de Cecil B. de Mille.
Quando, perto do final da peça "The tempest" de Shakespeare, Miranda (a jovem filha de Próspero que vive isolada numa ilha desde quase bebé) encontra um conjunto de homens, tem a seguinte fala:
Oliveira é um dos meus cineastas favoritos (não, não vou dizer que é o mais velho realizador em actividade...). Tal confissão provoca sempre comichão a quem se irrita por tudo e por tudo. Ora, não é nada, não é nada, mas já aqui arranjei lenha para queimar quem me contrariar.

Há muito que os cangalheiros da teoria anunciaram a morte da pintura. Pior: como gatos com cio conceptual, é às pingas que a vão matando, todos os dias, todas as semanas, todos os anos.


mas de moleza) em torno do rosto jactancioso do actor, e denunciado por um ventre flácido derivado do ócio a que o guerreiro se dedicou. Ao contrário, o Troiano, apesar da meia-idade, exibiu uma virilidade imaculada como se fosse de facto um guerreiro da mitologia.
A pedra de Roseta é a Gioconda do Museu Britânico. Não falo apenas do sucesso que lhe garantem os turistas com suas câmaras mais ou menos japonesas. Nem o digo por ironia, por política dos pictóricos autores, e muito menos por misoginia.
Hesitei imenso entre baptizar o blog como "Cabo da boa tormenta" ou como "Cabo da má esperança". Mas a primeira hipótese pareceu-me menos falaciosa... Pois pretende-se, por mercenário desejo de sucesso, que o blog seja um cabo por onde os nautas sejam obrigados a passar. Não se garante, contudo, que cheguem a bom sítio, ou que cheguem seja onde for.