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sexta-feira, agosto 30, 2013

Political Geographic

1. A dificuldade arriscada e a infinita paciência que é exigida aos operadores de câmara dos documentários sobre a vida natural nunca transparece na montagem (no sentido de conceção geral) do produto audiovisual acabado. O pacote final é tão lustroso, tão limado, tão ilusoriamente inconsútil, que não faz justiça nem ao cinema nem à natureza. Ao técnico virtuoso (que recolhe imagens notáveis) corresponde um realizador/montador desonesto. Mesmo os making of são decalcados da estrutura narrativa mais grosseira do entretenimento.


2. No primeiro episódio da série da BBC "Planet Earth", a atividade natural mais exibida é o ritual predatório de várias espécies. Pergunto-me se nos documentários do mesmo género produzidos pelos países comunistas se insiste na mesma leitura da natureza...

sábado, janeiro 02, 2010

Uma intuição

Dizem os especialistas que a floresta Amazónia cresce sobre o seu solo, e não do seu solo (que é paupérrimo, infértil), utilizando-o essencialmente para proceder à fixação dos nutrientes que resultam da reciclagem dos seres vivos (o que de certa maneira explica a desmesura das árvores tropicais: elas precisam de desenvolver raízes que cubram a maior superfície possível, de modo a apanharem qualquer elemento químico disponível), e não como fonte de nutrientes.

Também a escrita cresce sobre o papel e não do papel, na medida em que os seus nutrientes provêm todos da reciclagem da experiência da vida (o papel é o suporte de fixação dessa experiência). Ora, parte da novidade (e da estranheza) da obra de Stéphane Mallarmé resulta precisamente do facto de ele ter pretendido extrair a sua poesia do papel em branco (ou de uma certa ideia de papel em branco). É claro que isto não passa de sugestão (e de ilusão), mas pode configurar uma linha de abordagem fértil quando aplicada ao autor de "L'après-midi d'un faune".

sexta-feira, novembro 27, 2009

Distopia sensual



Será que, um dia, Brando e Marylin também vão ser considerados meramente pitorescos?

domingo, janeiro 18, 2009

O ornitólogo

Por vezes leio que: Olivier Messiaen foi um grande compositor, apesar de ter passado grande parte do seu tempo de composição a meramente transcrever o canto das aves.

Ora, quer-me parecer que Messiaen descobriu a metáfora latente em toda a História da música: a utopia do indivíduo humano como um ser absolutamente musical. Os pássaros só sabem falar cantando, e a música representa a ambição humana de chegar a esse estádio de desenvolvimento estético/político.

Quando Arnold Schönberg, um grande compositor, inventou o dodecafonismo, pensou que tinha descoberto o futuro de toda a criação musical. Enganou-se: a sua pólvora era apenas uma nova forma de ditadura (bastante gratuita, de resto), e se há música dodecafónica e serialista maravilhosa, isso deve-se ao talento dos que aderiram a esse jogo e que o superaram com a sua imaginação.

Se alguém descobriu alguma coisa essencial, foi Messiaen. Mas espero que o seu legado se mantenha uma excepção fulgurante, e não faça escola nenhuma.

sábado, dezembro 13, 2008

Informação cinéfila



Em muitos westerns cinematográficos, é comum pressentir-se, no céu sobre o deserto americano, o vulto de uma águia-de-cabeça-branca voando solitária e debitando o seu nobre grito.

Ora, há um erro ornitológico nesse clichê inseparável do nosso imaginário. É que o grito que se ouve pertence, na verdade, à arte do bútio-de-cauda-vermelha. O som produzido pela águia-de-cabeça-branca é bem menos convincente e viril.

Ignorâncias, claro. Mas, when the legend becomes fact, print the legend.

sábado, novembro 08, 2008

Nota Messiaen



Eu, que tanto aprecio um cavalheiro como Luiz Pacheco quanto um javardo como Olivier Messiaen, tenho uma relação complexa com a religião.

Aos onze anos, já cometia blasfémias e riscava santinhos com o rosto hippy de Jesus Cristo. Não tardei em tornar-me ateu convicto, capaz de longas discussões teológicas com amigas que talvez estivessem mais interessadas noutras coisas, demolindo todo o edifício judaico-cristão com a convicção da juventude e da liberdade da inteligência.

Hoje em dia, presumo que sou aquilo que se chama um agnóstico. Indiferente. Não há nenhuma prova da existência de Deus. Defendo isso contra todos os obscurantismos. Mas também não há prova da sua inexistência (se bem que me interrogue se um dia não viremos a saber que o que de facto existe é afinal a Fada Sininho ou o Monstro de Loch Ness - ou seja, porquê o conceito de Deus?). Mas nada disto me interessa. Se Deus se pretendeu NÃO-MANIFESTÁVEL, é porque não quer que percamos tempo consigo. E se a tal juntarmos o puritanismo, a hipocrisia, a história criminosa da Igreja, então é que ficamos mesmo conversados.

No entanto, a minha parte favorita d' "A divina Comédia" não é, como acontece com toda a gente, o Inferno, mas sim o Paraíso... Como eu me recuso a tomar drogas (não por uma questão moral, mas porque já tenho fraquezas que cheguem), penso mesmo que a teologia funciona em mim como se fosse uma substância de prazer alucinatório. É que eu não posso ouvir falar em Luz incomensurável, em Bondade que tudo redime, em Jardins sem mácula, em Harmonias celestiais ou em Eternidade livre de dor, sem que o meu íntimo derreta como um adolescente apaixonado. Não é apenas nostalgia do Paraíso, mas também de um Sono sem pesadelos, de uma Ternura sem usura, de um Conhecimento sem limitações kantianas (tudo isto enquanto categorias do pensamento, não do sobrenatural).

Já ouvi gente dizer que, se ouvir demasiado Messiaen, ainda acaba por se converter. Sou demasiado terra-a-terra para tal. Mas leiam só isto que está escrito na partitura de "O papa-figos" da obra pianística "Catálogo dos pássaros":


"Le loriot, le bel oiseau jaune d'or aux ailes noires, siffle dans les chênes. Son chant, coulé, doré, comme un rire de prince étranger, évoque l'Afrique et l'Asie, ou quelque planète inconnue, remplie de lumière et d'arcs-en-ciel, remplie de sourires à la Leonard de Vinci."

quarta-feira, outubro 29, 2008

Zoologia




Algumas palavras sobre o cágado, um amigo de Bernardo, personagem do Pantanal:


"É cheio de vestígios do começo do mundo, por isso nos parece inacabado. Mas quando metade da terra estava por decidir se seria de pedra ou de água - já estava decidida a sua desforma."

Manoel de Barros


(Imagem retirada daqui)

segunda-feira, agosto 04, 2008

O meu quintal 1





Tangerineira em Julho
(imagem minha)


(Com o descaramento de estar a tornar este blogue cada vez mais esquizofrénico e de assim afugentar qualquer leitor que se ponha a jeito de público-alvo, começarei a publicar, esporadicamente, as deficientes imagens que eu for conseguindo captar do meu quintal. For sensuality's sake.)

domingo, abril 13, 2008

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

quarta-feira, agosto 15, 2007

Documentário

Na estufa Lagartagis do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural em Lisboa, pude observar diversos lepidópteros a recolherem pólen das flores que aí lhes são oferecidas de bandeja.

Curiosamente, também os bichos têm hábitos alimentares que os distinguem entre si. Como se sabe, a lantana é uma magnífica planta caracterizada pelo facto de que cada uma das suas flores é fractalmente composta por uma miríade de delicadas micro-flores (nada disto é linguajar científico, claro). Ora, perante o pujante buffet assim oferecido, uma das borboletas enfiava o seu longo garfo negro dentro de cada micro-flor durante uns míseros segundos, e logo o retirava e colocava noutro cálice, e depois noutro, e ainda noutro... Como se a variedade a transtornasse e a sua saciedade só pudesse resultar de uma experimentação fragmentária.

Mas logo encontrei outra borboleta, provavelmente mais madura, obviamente mais sofisticada, que penetrava o seu doce (e sabiamente escolhido) micro-prato com toda a calma, e que não o pretendia abandonar até ele estar todo rapado (e presumo que chupado com pão). Talvez nem passasse à seguinte opção do menu.

Uma questão de personalidade.


(Foto gentilmente roubada da wikipédia)

quinta-feira, julho 19, 2007

Invulgares de Linneu 12 (último)



Engole-malagueta
(também conhecido como Bulbul)



(Voz: chick chillewi, chuwü, de um cantor barulhento, sem medo do Homem)
Informação do Guia de Aves da Assírio e Alvim

quarta-feira, junho 06, 2007

Invulgares de Linneu 11


Tetraz-lira


(Voz do macho: rro-perre-oo-ohr rro-perroo, como um borbulhar)
(Voz da fêmea: kakakakakakeh-ah, cacarejado e rápido)
Informação do Guia de Aves da Assírio e Alvim