Um ser superior que tudo explique?
Porque não inferior, lateral, oblíquo, tangente, interior, fecal, esquizofrénico?
Porque não inferior, lateral, oblíquo, tangente, interior, fecal, esquizofrénico?
Há cerca de quinze anos atrás, fui um dos assistentes de realização na rodagem do filme "Ma's sin" de Saguenail. Trabalho que, aliás, nunca mais repetirei: para além de ser a pessoa menos pragmática que conheço, sou desajeitado, esquecido, flácido e ansioso perante a urgência, o que faz com que eu esteja sempre no sítio errado, na hora errada, com a pessoa errada a resolver o problema errado... Enfim, a despeito de mim, o filme fez-se.
Quando a ciência consegue (por fim) superar os diversos erros que fazem a História de cada uma das suas Descobertas e Invenções, quando atinge uma verdade consensual, irrefutável, o futuro que a isso se segue tem de ser forçosamente diferente. Depois de sabermos que as maçãs são mais importantes pela gravidade com que caem do que pela ligeireza com que se comem no Éden, não podemos voltar mais atrás. Pode haver aprofundamento do achado, mas não retrocesso (e por isso toda esta questão do criacionismo se me afigura francamente perturbante).
A criança, o pré-adolescente, o casto, a solteirona, o sacerdote lorpa, o marginalizado, o impotente, o assexuado-dizem-os-psis, o promíscuo incorrigível, o anjo, o autista...Para ser político, o poeta precisa de um alter-ego, precisa de uma espécie de repórter (activo, actor, alegre) que acrescente, ao seu nome, o nome do país que o poeta pretende tutelar. Por exemplo: Charles Baudelaire Cocagne, Dante Alighieri Paradiso, Rainer Rilke Absolut.
É a única maneira.