sexta-feira, julho 10, 2009
No rules
sábado, julho 04, 2009
Anti-sabedoria
quinta-feira, julho 02, 2009
Rigor
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Post a um jovem realizador
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Mácula
sábado, janeiro 17, 2009
Distinção
quinta-feira, novembro 27, 2008
Por meio do caminho
quarta-feira, novembro 26, 2008
Puro-sangue de Troia
Que o bom não equivale ao belo, isso é já uma evidência adquirida.Lyotard explica-o com precisão: o sentido do gosto que o belo incita é desinteressado perante o objecto dito belo (nem sequer há a vontade de com ele satisfazer os sentidos), enquanto o respeito moral se articula sempre como a manifestação de um interesse (de uma acção sobre o mundo).
Mas nem precisamos de filosofices para o perceber. Ainda hoje li no jornal PÚBLICO a entrevista feita ao escritor V. S. Naipaul, e a vontade de conhecer a sua obra que ela me trouxe resultou tanto da tensão intelectual das palavras do autor como da latência de crueldade que essas palavras encerravam. Artista e santo não se confundem (de qualquer modo, basta ler a Agustina para perceber que estas coisas de crueldade e generosidade não são nada lineares).
No entanto, as verdades não-científicas distinguem-se por não serem fatais. Ou seja, lá porque o bom e o belo não se equivalem, não quer dizer que alguém não possa construir um projecto de vida no qual a ética e a estética tentem ser as duas faces da mesma moeda. Não será preciso dizer que a ética não se confunde aqui com pieguice ("Blindness") nem a estética com sentimentalismo ("Il miracolo a Milano").
Falo de uma escolha. De fabricar um caminho de brasas para uma existência descalça.
(Imagem de Manel Armengol)
Desagradar a gregários
segunda-feira, outubro 13, 2008
Mitos
quarta-feira, outubro 08, 2008
Palavras...
domingo, setembro 14, 2008
Relendo "A sibila" (nota)
No fundo, "A sibila" de Agustina Bessa-Luís é a história de uma mulher que, devido à relação que manteve com o pai, conseguiu construir um afecto enquanto mãe, mas não enquanto amante. Ou seja, a escritora revela, com toda a lucidez, que é mais fácil desprezar alguém que está num plano de igualdade para connosco (aquele com quem podemos construir uma relação sentimental) do que um pai ou um filho. "Desprezar" é a palavra certa: Quina, personagem de infinita complexidade, despreza todas aquelas mulheres que se perdem nos atavismos sentimentais da feminilidade, mas sobretudo despreza a boçalidade viril, aquela incapacidade que o género masculino pode apresentar tanto perante a razão como perante o espírito. Mas Agustina sabe que ninguém foge à sexualidade, e por isso coloca a sua sibila a amar o pai (encantador mas irresponsável engatatão) e o filho adoptivo (grotesco vadio sem carácter).Para alguém que, como eu, despreza a ilusão do sobrenatural (e que não precisa de religião), o romance pode mesmo apresentar-se como a explicação psicanalítica do delírio espiritual e do calculismo materialista de uma figura feita da mais humana contradição. Mas isso não é importante (até porque a autora talvez não o aprovasse).
Aquilo que Agustina parece defender é que, no contexto humano (neste caso, a sociedade rural , que ela descreve e desconstrói com conhecimento de causa), a parte mais relevante do intelecto não é o pensamento domesticado mas tudo aquilo que permanece derrotado dentro do espírito e que só consegue exprimir-se através do aforismo. Assim, o aforismo não é mera proposição concisa baseada na experiência, mas a própria essência da visão do mundo da autora. O génio que Quina demonstra na sua capacidade de oração e profecia partilha com o aforismo a mesma essência de clarão súbito. Ou seja, a verdade da experiência é revelada não tanto por uma estrutura racional que lhe é equivalente e existe dentro do sujeito (Kant), mas pela dimensão mais rebelde da inteligência. E aí permanece uma muito política garantia de liberdade (e uma possibilidade factual de auto-superação).
Por isso Agustina é tão exímia paisagista: a sua natureza rural não é propriamente lírica, mas uma beleza contestatária.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Autor amoral (ou cobarde)
sábado, setembro 06, 2008
Clima
quarta-feira, agosto 27, 2008
Regra e confirmação
domingo, agosto 24, 2008
Michael Phelps
quinta-feira, agosto 07, 2008
Sem título
sexta-feira, julho 18, 2008
Bitaites
1. Num texto, a lógica relacional entre forma e conteúdo é o que humaniza a arbitrariedade relacional entre significado e significante.
(Nota: pensar que forma e conteúdo estão desunidos equivale a permitir uma mediocridade ética)
2. Não existem sistemas de pensamento, mas apenas estilos verbais de sobrevivência.
(Nota: por isso, quase todos os pensadores dignos desse nome defenderam ideias relevantes e ideias disparatadas; o interesse por um pensador deve ser análogo ao interesse por um sobrevivente)
3. A humanização corresponde à constante reinvenção de uma lógica ética.
(Nota: essa lógica caracteriza-se por não ser exacta, e por funcionar como uma tendência frágil mas contínua para a sobrevivência suportável, ou melhor dizendo, para a defesa contra os riscos violentos da arbitrariedade das relações humanas)