domingo, dezembro 01, 2013

Nota "Sleuth"

No seu último filme, Joseph L. Mankiewicz pretendeu mostrar como o jogo das classes sociais não se joga a feijões. O personagem opressor até pode genuinamente pensar que tudo não passa de cenários de teatro, mas o oprimido não tem medo de ir até ao fim, nem que isso implique oferecer a sua morte literal para que o jogo revele a realidade de toda a sua violência.

Mankiewicz invade o filme com inserts dos objetos do personagem de Lawrence Olivier, como se eles fossem as pistas de que Michael Caine fala no fim, aquelas que não se vêem apesar de estarem à vista. Quando a moral é didaticamente estabelecida, podemos todos sair do filme para a realidade acreditando que as pistas do esmagamento social podem ser detetadas por um olho que "Sleuth" tornou politicamente elementar, meu caro Watson. A public eye.

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