domingo, dezembro 08, 2013

Nota "O rio do ouro"

Revi este lindíssimo filme de Paulo Rocha, e reparei que:


1. A paixão de Carolina pelo Zé dos Ouros resulta sobretudo do chamamento da tragédia que este traz consigo. Não interessam as razões nem as formas como estas se vão processar, não interessa o teor específico do afeto ou da fatalidade, o que Carolina ama é o crime que traz dentro de si, crime que aquele homem acorda no rutilar do seu ouro.

2. Ao arrepio de todo o bucolismo, a ruralidade é assim apresentada como uma panela de pressão, em que as sensualidades e violências latentes estão apenas à espera da oportunidade certa para eclodirem em loucura. Ora, não foi a loucura (uma loucura diversa, claro) que António Reis também associou ao campo no seu portentoso "Jaime"?

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