quarta-feira, outubro 09, 2013

Três questões para Pedro Passos Coelho

Não tendo sido convidado para o programa que decorre neste momento na RTP, deixo aqui as perguntas, sintéticas e abrangentes, que gostaria de fazer ao senhor Primeiro Ministro de Portugal:


1. Acha que a elite nacional pode impor à restante população um conjunto de medidas indutoras de grande sofrimento sem que essas medidas a prejudiquem a ela própria? Se há uma justificação para a política que o governo está a praticar (até porque boa parte dessa política é definida por agentes estrangeiros), está o Senhor Primeiro Ministro disposto a assumir, para si e para os seus, as consequências destrutivas a que ela leva? Se vamos rever a Constituição, poderemos nela incluir, como elemento fundamental, a necessidade de todo e qualquer governante se ter de comportar mediante a obediência ao imperativo categórico tal como Kant o definiu na sua teoria moral?


2. Este é um tempo excecional que exige governantes excecionais que, mais do que serem meros gestores das adversidades que ameaçam o país, as tentem combater com uma coragem muito superior àquela que seria aceitável em tempo normal. O senhor considera-se um desses governantes, ou não passa de um funcionário do sistema e da contingência?


3. O senhor Primeiro Ministro tem consciência de que, após a sua governação, a sociedade portuguesa estará completamente transformada? Nomeadamente em termos do trabalho, tem noção de que a suposta mera gestão de uma crise está a levar a um aviltamento profundo do seu valor?

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