Diapasão
Pode o lá estar às vezes tão longe
que nos parece um injusto ralhete.
O mundo afina-se então nesse dia
por alguma coisa que esteja mesmo aqui.
Como o gafanhoto.
Nos seres que não se mexem, portanto,
já só interessa o que neles pode saltar:
as cores nas casas,
os frutos nas árvores,
as histórias na cabeça do avô.
Chove só para as nuvens não estarem quietas,
e faz logo sol
ou logo neva
só para a água não ser sempre o mesmo líquido.
Os meninos deixam de jogar à macaca
e vão para o estrangeiro,
para o macaquinho chinês.
Entretanto,
já ninguém sabe onde para o gafanhoto.
Teremos de encontrar outra coisa,
amanhã,
mesmo aqui.
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