domingo, setembro 22, 2013

Parar com a cagança

Certas publicações culturais referem-se ao Senhor X como sendo: poeta, prosador, romancista, novelista, contista, dramaturgo, guionista, letrista, tradutor, ensaísta, crítico, diarista, cronista, polemista, jornalista... Apesar de esta frase ter o aspeto exato de uma piada, ela é contudo representante de uma monstruosidade de estilo facilmente verificável na realidade da nossa imprensa.

Quando um determinado autor adquiriu o seu relevo dentro dos pressupostos de um género específico, é natural que esse género seja mencionado. Camões foi um poeta (apesar de também ter escrito teatro) e George Steiner cumpre os requisitos de um ensaísta (apesar de por vezes tentar a ficção).

Quando um autor partilhou a sua atividade em duas frentes muito distintas e muito específicas, também não incomoda ouvir dizer que Tchékhov foi um dramaturgo e um contista.

Mas no caso das serigaitas que vão a todas (eu próprio sou bastante promíscuo...), pedia o especial favor de, quando mencionarem o Senhor X, nos dizerem simplesmente que ele é... escritor.

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