quinta-feira, abril 25, 2013

Bitaite pop

Normalmente, as pessoas que apreciam música popular fazem uma ligação direta entre esse gosto e o cinema dito popular.

Acontece que não há uma correspondência justa entre a produção fílmica industrial (sobretudo hollywoodiana, mas também a que se inspira no modelo americano) e fenómenos musicais como os cantos klapa, o flamenco, o jazz ou o hip hop. A música popular, que surge no contexto do trabalho agrícola, da festa de aldeia, do encontro para celebração de culto, das ruas urbanas cheias de perigo, etc., nada tem a ver com os estudos de mercado, os exercícios de propaganda, os cálculos de manipulação psíquica que acompanham a feitura do produto cinematográfico industrial. Vítor Gaspar, com o seu excel, seria um excelso produtor de putativas aventuras exóticas e outros sonhos que o pariu.

Claro que também há Justins Biebers. Claro que os bardos da Jamaica ou do Mali acabam por ser absorvidos por estratégias de mercado. Mas, no cinema, dada a complexidade, a especificidade técnica e os elevados custos de todo o processo criativo, a possibilidade de expressão "popular" é diminuta e sobretudo nunca genuína. Mais do que qualquer outra arte, a sétima pressupõe a energia resistente de um autor para poder falar, verdadeiramente, de alguma coisa verdadeira.

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