sábado, agosto 25, 2012

Partilha 142

(potência minguante)


O luar é o habeas corpus da luz solar, mas o mesmo não pode ser dito dos corpos que detêm tais ilícitos de luz. Diz-se que, entre noite e dia, o mundo é muito belo (torres assombradas por joias, o bilingue chateau d'If, os jardins suspensos de sing sing). É muito belo, mas só me chega a mim em forma de eco, de eppur.
Sou uma antígona de trazer por casa. Passeio no meu quintal sem saber os nomes das plantas, e digo "o alegado acanto", "o alegado paquissandro", "a alegada físalis-múndi". Sou um gato, sou o quarto porquinho, aquele que fez o seu lar do próprio sopro do lobo. Sou a tartaruga de Senão, aquela que a justiça nunca alcança. Sou o calcanhar da noite.

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