quinta-feira, agosto 16, 2012

Não creio

O facto de eu ser agnóstico nunca me impediu de apreciar cineastas cristãos. Pelo contrário, o grande autor implicado com a fé (de Dreyer a Tarkovsky, de Bresson a Oliveira) pode exercer em mim aquele estranho fascínio do adversário pelo qual eu gostaria de ser vencido.


Dito isto, não sou menos exigente com o religioso do que com o militante de esquerda, o lírico ou provocador. Abel Ferrara ("4:44 - Last day on Earth") filma Nova Iorque como ninguém (melhor do que Scorsese ou Woody Allen, a meu ver), cria atmosferas como ninguém, mas deveria ser proibido de escrever os seus próprios argumentos. Ou seja, o seu catolicismo não me interessa absolutamente nada, o pesado e simplista moralismo de tudo quanto ele tem para dizer a respeito de religião afigura-se-me apenas repugnante.

Sem comentários: