quarta-feira, abril 25, 2012

Adenda para evitar más interpretações

Neste post que escrevi a propósito do filme "Blue", do realizador Derek Jarman, não pretendi insinuar que a imagem cinematográfica cara às estéticas do casal Straub-Huillet ou de Manoel de Oliveira se encontra numa posição de fragilidade perante a dimensão textual em torno da qual as suas obras se constroem. Pelo contrário, faço parte do grupo daqueles que acreditam que esses autores inventaram uma expressividade visual completamente nova, baseada na premissa do verbo-tornado-imagem. Reconheço a impopularidade do gesto e assumo que essa estética nem é propriamente aquela em que me revejo enquanto criador, mas muito mais reconheço a eficácia e a liberdade eufórica de toda essa originalidade.

3 comentários:

petit paysan disse...

no caso de S-H, o Verbo (a literatura, a cultura) mal sobrevive ao impacto da Imagem, diria eu. o conflicto é mais do que evidente (porque tão desejado, enquanto estratégia de destruição). já com Oliveira, fica tudo mais ou menos reconciliado, na paz do Senhor.
é por isso que dificilmente os posso pensar (oliveira e s-h) juntos ou sequer no mesmo nível de 'densidade', no que ao todo da operação crítica-estética-política se refere.

isto não vai (pelo menos não quer ir) contra o teu texto, é apenas e de facto, um comentário :)

Pedro Ludgero disse...

Sim, já sei que pensas deste modo.
Mas eu discordo e não acho nada que em Oliveira fique tudo reconciliado e na paz do Senhor. É um preconceito teu, a que tens pleno direito.

petit paysan disse...

'preconceito' não posso deixar passar, porque não o é.
eu gosto de todos os filmes do Oliveira até aos Canibais, e ainda alguns depois desse. se os for a contar, gosto até de mais filmes do Oliveira do que de S-H.
como deves calcular, sobrevivo muito bem não-reconcliliado com quem quer que seja e em qualquer situação (porque razão deveríamos todos pensar o mesmo?) e até admito que a minha leitura das duas obras possa estar incorrecta.

mas preconceito, isso nem pensar. nem sequer um pequeno parti pris de classe, ponto óbvio por onde poderia pegar (isso seria do mais básico que poderia haver, isso é Cahiers 69).