domingo, dezembro 11, 2011

Cadernos filosóficos 1

Tenho a infelicidade de me sentir atraído por esferas da atividade intelectual que são normalmente consideradas inúteis. Poesia, filosofia, cinema... Enfim, para que alguém perceba que, noutras civilizações, a filosofia até terá sido considerada uma área fundamental do saber e um instrumento irrecusável de orientação da vida prática, é preciso conhecer-se um pouco de história e é preciso ter-se cultura filosófica suficiente para se saber distinguir essência de contingência...

Mas, por favor, não me tentem tirar o rabo da boca da pescadinha com programas da Paula Moura Pinheiro. A filosofia serve, por exemplo, para nos questionarmos, inundados de dúvida e inquietude, se os fundamentos que conformam uma sociedade (ou uma civilização) se continuam a justificar, se merecem a sua imutabilidade, ou se estão a condenar a humanidade ao absurdo.

Ouço coisas interessantíssimas sobre se a dívida é para pagar ou para gerir (e até há o Freitas do Amaral que é ambidestro), mas ninguém parece querer ir ao fundo da questão, e perguntar se um mundo tão frágil como o nosso (no qual a sobrevivência nunca se encontra na verdade garantida) pode estar dependente de um esquema de gestão dos recursos e dos serviços que se ancora em perigosos números de circo como o crédito ou a especulação. Parece que há países que se portam mal (???), mas até que ponto é que podemos confiar na humanidade daqueles que se conseguem portar bem perante tais desvarios?

Sem comentários: