domingo, setembro 25, 2011

Post a um crítico repetitivo

Em todas as suas recensões a romances (rigorosamente não em todas, mas eu adoro fazer generalizações que são, na verdade, hipérboles), dizia eu portanto que, em todas as suas recensões a romances, o crítico Eduardo Pitta elogia o estilo sem floreados e sem pirotecnia retórica da escrita do autor em causa.

(Não sei muito bem o que são floreados. Quando comecei a aprender órgão eletrónico, num ambiente de profundo provincianismo, as pessoas chamavam floreados às putativas improvisações jazzísticas que os jeitosos da coisa sobrepunham às melodias-de-sempre... Quanto a "pirotecnia retórica": trata-se de uma metáfora, portanto, de um exercício de pirotecnia retórica, ainda por cima de mau gosto, como tudo o que envolve foguetes.)

Eu compreendo a fidelidade a um determinado gosto pessoal (ódios e paixões são clubismos a que não devemos renunciar sem alguma luta). Compreendo também a cena do orgulho: quase toda a história do pensamento é feita de re-argumentações para re-comprovar teses pessoais atacadas, e não de genuínas mudanças de opinião.

Mas se alguém, vá lá saber-se porquê, resolve ganhar a vida a foder a paciência de quem toma verdadeiros riscos (e Pitta também é autor), eu espero que, da sua parte, haja pelo menos um verdadeiro esforço de pensamento. Talvez não seja preciso fazer uma "Summa Theologiae", mas o crítico que ataca, por exemplo, o adjetivo, a metáfora e o ponto de exclamação (até que venha nova doxa demonizar outros elementos da criatividade literária), deve teorizar profundamente em torno da sua opinião, precisamente para que esta não seja uma opinião, ou um tique, mas um argumento (e filosófico e tudo!).

Fico, portanto, a aguardar o "Tratado do Floreado" e os "Prolegómenos a um Manifesto contra a Pirotecnia Retórica", da autoria de Eduardo Pitta.

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