quinta-feira, setembro 08, 2011

Cadernos Rimbaldianos 8

1."Je est un autre" e não "Je es un autre", porque Rimbaud não está a falar consigo mesmo, mas a observar-se como um estranho (como um outro). O desejo de imanência universal implícito neste célebre aforismo deriva da ultrapassagem que o poeta faz do número 2 (da "companhia") para chegar ao número 3 (à "multidão"). Mais do que apenas sentimental, a "reinvenção do amor" de que falava o adolescente tinha uma ambição política.



2. "Une saison en enfer" é um texto sobre o inferno transitório da Terra, sendo este situado no passado pseudo-biográfico do autor. Pelo contrário, as "Illuminations", todas voltadas para um possível futuro da humanidade, estão carregadas de desejo pelo paraíso. Para conseguirmos ler os dois textos (ambos críticos da "reinvenção do amor" sugerida por Cristo), temos de os entender como reconduções do discurso infernal ou do discurso paradisíaco a uma plena aceitação do purgatório. Cair e levantar-se. Levantar-se e cair.

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