quarta-feira, maio 04, 2011

Acabei, no sábado passado, de escrever...

... um conto (intitulado "Reinação") onde tento modestamente exprimir a ideia de que nenhum afrodisíaco de facto ou de lírio, nenhuma prática ou tara, nada é mais erótico (falo de tusa literal) do que a tomada de consciência de que fomos eroticamente escolhidos por alguém. Especificamente alguém (um indivíduo escolhido por ninguém ou por toda a gente seria perseguido por um profundo sofrimento alienante).

É, no fundo, o que sucede à Bela Adormecida (ou à outra mais nívea), quando o Príncipe a beija para fora do seu estado comatoso (a Borralheira, com seu sapatinho idiossincrático, é uma versão mais perversa, porque concentrada num fetiche). Ou o que sucede no beijo que Judas dá a Cristo (que o vai preparar para a ressurreição, não propriamente para a morte).

Disparates.

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