quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Questiúncula

Numa das últimas edições da revista "PÚBLICA", um delicado sacerdote indispunha-se contra a Igreja Católica pelo facto de esta sempre ter demonizado o sexo na sua doutrina. Fico contente por os cristãos, ao fim de não sei quantos séculos de sotaina, estarem finalmente a perceber que o sexo, como o gelado de straciatella e os banhos no Oceano Índico, sabe bem. No entanto, Monsenhor Cujo Nome Se Me Escapa achava ainda que a Igreja devia assumir a posição moral de que "no sexo não vale tudo".

Alguém disse (e eu gostaria muito de saber quem foi, para lhe enviar um cartão de agradecimento) que a única regra ética a aplicar à vida sexual das pessoas é aquela que exige o verdadeiro e livre consentimento de toda a gente que nela se envolva. Não me consigo lembrar de mais nada para dizer sobre o assunto.

Ou melhor, consigo. Consigo dizer que, se é verdade que a solidão sexual é uma das tristezas mais agudas que se pode experimentar neste e noutros mundos, a solidão afectiva talvez consiga provocar um verdadeiro Inferno sobre a Terra. E que aqueles que não conseguem passar do sexo para o amor correm sempre o risco de embrutecer tanto a sua vida erótica (que se pode tornar mecânica) como a dimensão mais íntima e profunda da sua personalidade. Mas isto é um assunto para a psicologia, a psiquiatria, a psicanálise e outras ciências do bem-estar interior. A conversa não chega à retrete da religião: Cristo disse coisas tão bonitas, têm tanto que trabalhar...

Sem comentários: