quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Estupidez em série

Gasto algum do meu precioso tempo a ouvir música foleira, no meu caso duplamente foleira porque se trata de mero combustível para a minha predisposição delico-melanco-doce (se bem que este neologismo desfoleiriza um bocado a coisa). Ora, pelo menos ao nível dos prazeres fúteis e pouco nobres, gosto que os agentes desses prazeres sejam inequívocos na sua acção. Imagine-se que, de dentro de uma lâmpada mágica, apareciam às pessoas o Angélico ou a Pamela Anderson, e que afinal eles eram impotente e frígida (respectivamente?)... What's the point?

Já não me divirto no cinema desde o "Ocean's Eleven", que era puro champanhe e mais nada (eu gosto de champanhe, e o James Bond, mais bonito que está, é certo, já só tem explosões). Mas isto de séries televisivas, na sua idade de ouro ainda por cima, consegue ser bastante mais aborrecido. Em "Lie to me", onde espero que o Tim Roth esteja a ganhar balúrdios porque não está a fazer mais nada, decide-se da verdade dos discursos dos personagens a partir dos comprometedoríssimos esgares que estas libertam como quem não quer a coisa, uma verdadeira astro-psico-logia de grande requinte que deve ter sido inspirada nos comentários populares à culpa dos pais da pequena Maddie.

Um dia destes, vi um episódio do badalado "House" (eu gosto do Sherlock Holmes) e decidi que devo voltar às músicas foleiras. Uma criança, portadora do detalhe genético de ter células masculinas e femininas, sentia-se confusa ao nível do género porque tanto gostava de basquetebol como de dança. A ideia subjacente era que o gosto do básquete vinha directamente das células com piça e a dançofilia resultava das células com clitóris. Aparentemente, não há raparigas que preferem basquetebol a dança, nem rapazes na situação inversa. Aliás, se as raparigas preferirem o desporto de Magic Johnson, o mais provável é que estejam a revelar o rapaz que existe dentro delas, enquanto os viris amantes de pas de chat estarão provavelmente a um metro sexual de serem homossexuais. Mais, talvez até seja pouco provável que uma menina bailarina seja fufa, e toda a gente sabe que na NBA não há gays. Ou seja, a uma série do século XXI que reencena a figura do detective enquanto campeão da verdade (e desde Tales de Mileto que a verdade é o triunfo sobre as aparências e os clichés), não chegou ainda a ideia de que o sexo é um conceito biológico e o género uma construção cultural. Brilhante!

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