sexta-feira, janeiro 28, 2011

Resumo do post anterior

O tradutor deve restituir, no texto traduzido, a integridade e a integralidade da potência semântica de um texto escrito numa outra língua. Mas, por definição, não o pode é fazer da mesma maneira (não é só o idioma que é distinto, mas também a cultura dos destinatários do novo texto, a época em que este é escrito, etc.). Em consequência, se, num acto de tradução, o sentido deve ser transposto em toda a sua amplitude (pelo menos numa perspectiva ideal), a forma tem de ser sempre filtrada. O tradutor é um escritor que não diz nada de novo, mas que tem de reorganizar (tudo) aquilo que outro disse.

Sublinhando a importância da palavra "quase", eu não defenderia que traduzir é "dizer quase a mesma coisa" (o que pode fazer todo o sentido no seio da teorização de Umberto Eco, que, como já mencionei, ainda não li), mas dizer a mesma coisa quase da mesma maneira.

Claro que a minha formulação contém dentro de si um logro lógico: a ideia de que forma e conteúdo podem não se equivaler. Mas é esta menoridade do tradutor perante o conteúdo do texto que sentencia toda a tradução ao falhanço.

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