segunda-feira, dezembro 20, 2010

Marginália

1. Não há qualquer razão inevitável para que um verso seja graficamente alinhado pela direita de uma página, e não pela sua esquerda (ou pelo centro). Mesmo no sistema de escrita-leitura ocidental. É uma convenção, como outra qualquer.

Ora, se nascer num berço de ouro faz toda a diferença, ser enterrado num caixão de ouro já não faz. Nos meus "poemas para serem ditos no cinema", os versos serão alinhados pelo seu fim, e não pelo seu início.


2. Todo o poema é uma construção. Os "poemas para serem ditos no cinema", construídos como para-confissões de um sujeito lírico cansado (mas que não deixa de se auto-mitificar), deverão funcionar como estudos para uma dicção menos armada. Serão quase poemas não-construídos (o que é ilusório), cuja espessura fica irremediavelmente dependente da voz lendária que os deveria dizer/ter dito (e que vem especificada em cada título). É o fantasma dessa voz que lhes serve de alicerce, parede e acabamento.

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