segunda-feira, dezembro 20, 2010

Cadernos tchekhovianos 1

Nas grandes peças de Anton P. Tchékhov (mas também na sua contística), as personagens mais comoventes são aquelas cujas expectativas sobre a vida foram irremediavelmente empoladas por uma educação tão requintada que a vida provinciana não lhes consegue dar plena satisfação. A educação frustra, dá ao real a fealdade que ele talvez até nem tenha.

Ora, Tchékhov foi, à semelhança do seu ídolo Tolstoi, um construtor de escolas para camponeses. Esta aparente contradição pode ser lida de duas maneiras razoavelmente antagónicas. Ou o autor de "As três irmãs" era de facto um pessimista profundo, mas incapaz de deixar de lutar (um Prometeu sem fé). Ou, pelo contrário, achava que a mediocridade da vida russa era uma questão conjuntural, e que era preciso trabalhar concretamente para que, no futuro, todos os seres pudessem conviver em igual estádio de exigência espiritual.

Seja como for, o escritor morreu antes do falhanço do comunismo.

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