segunda-feira, dezembro 20, 2010

Cadernos oliveirianos 1

1. Quando rodou "Douro, faina fluvial", o realizador Manoel de Oliveira tinha cerca de vinte e um anos, e o cinema não era muito mais velho. O seu documento sobre o trabalho popular na zona ribeirinha do Douro foi assim construído sob o signo da energia eufórica e juvenil. Energia-futurismo, energia-mar, energia-povo. A única adversidade capaz de suspender anormalmente a faina era a (ameaça de) morte.

A mensagem do irreformável Oliveira, com cento e dois anos de idade, mantém-se, muito ironicamente, igual.


2. O último disco do cantor B Fachada (que gostaria imenso de ouvir) é jornalisticamente apresentado como uma diatribe contra a educação moral que é vulgarmente imposta às crianças. E, de facto, a ética parece ser o tema obsessivo da produção artística infantil (basta pensar em "Germania, anno zero"). Moral, imoral, amoral... Não haverá forma de falarmos às crianças saltando gentilmente sobre esse assunto?

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