Se bem percebo esta narrativa de gestação do facebook defendida (com pouco talento) no filme "The social network" de David Fincher, ela ecoa aquilo que argumentei no meu ensaio sobre a presença do filósofo Sócrates no livro "O banquete" de Platão: muito do que hoje constitui a nossa cultura social deriva da influência decisiva que sobre ela tiveram um conjunto de homens sem grandes talentos sociais. O mais curioso, e assumo isto confessando que a minha personalidade se aproxima daquilo a que vulgarmente se chama um nerd, é que as pessoas com uma capacidade de sociabilização equilibrada talvez não precisassem propriamente do legado desses visionários...O facebook (do qual participo) parece-me, contudo, bastante inócuo (ao contrário da blogosfera, por exemplo). A verdade é que continuo a ver a geração da internet (os adolescentes contemporâneos) a constituir relações sociais de facto e em presença. No máximo, a rede social pode servir para enganar um pouco alguma solidão real, mas não está a transformar a humanidade numa distopia geek. E tem vantagens: já encontrei amigos do passado por essa via... Aliás, pelas suas próprias características, o facebook acabará por passar rapidamente de moda, pois é disso que se trata, e não nos nos assombrará durante milénios como o platonismo. Até porque, seja qual for a nossa adesão a este filão filosófico (eu não adiro), ele foi fundado a partir de uma preocupação ética profunda, e o achado de Zuckerberg não passou de uma ambição de um jovem emocionalmente imaturo (quero lá saber do seu Q.I.).
Continuemos a brincar um pouco no facebook, nada mais.
Imagem retirada daqui
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