Em épocas de ocultação, tem de haver quem faça o trabalho de denúncia, de rasgar os véus. No entanto, quando a exposição se tornou uma banalidade, quando tudo é mostrado até à náusea e a mediação intelectual tende para a pornografia (mesmo se não pretendida), então é preciso que haja gente que nos lembre que a arte não se confunde com a vida.
Dito de outro modo, o artista tem de ser uma arma de precisão na escolha daquilo que vai revelar. Tanto Bertolt Brecht quanto Josef von Sternberg detinham a virtude desta ética.
Dito de outro modo, o artista tem de ser uma arma de precisão na escolha daquilo que vai revelar. Tanto Bertolt Brecht quanto Josef von Sternberg detinham a virtude desta ética.
2 comentários:
A arte não se confunde com a vida, a arte é a própria vida.
A vanguarda sempre esteve baseada nisso, nessa confusão que o artista faz em confundir as utopias com a realidade. Pode não ser nessa vida, mas o vanguardista deixa seu legado e faz da sua obra a estética (hábitos) para o futuro.
Que assim seja.
Abraço
Rafa; _)
Compreendo muito bem o que queres dizer.
Mas, neste momento, não seria capaz de afirmar algo tão taxativo como "a arte é a própria vida". Quero que me surpreendam com concepções diferentes do que é a própria "arte", e penso: se o cinema fosse todo como o Rohmer, não haveria o Scorsese; se fosse todo como o Scorsese, não haveria o Kiarostami; se fosse todos como o Kiarostami, não haveria o Oshima, etc.
Neste momento, eu diria que a minha arte se confunde com "irrisão". Mas espero regressar a um degrau de mais serenidade, e poder voltar a dizer que a minha arte se confunde, não tanto com a "plenitude" da vida (porque resisto a uma visão teleológica da História), mas com a sua VIRTUALIDADE.
abraço
Pedro
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