domingo, abril 04, 2010

Os contemporâneos

Em épocas de ocultação, tem de haver quem faça o trabalho de denúncia, de rasgar os véus. No entanto, quando a exposição se tornou uma banalidade, quando tudo é mostrado até à náusea e a mediação intelectual tende para a pornografia (mesmo se não pretendida), então é preciso que haja gente que nos lembre que a arte não se confunde com a vida.

Dito de outro modo, o artista tem de ser uma arma de precisão na escolha daquilo que vai revelar. Tanto Bertolt Brecht quanto Josef von Sternberg detinham a virtude desta ética.

2 comentários:

rafael Costa disse...

A arte não se confunde com a vida, a arte é a própria vida.

A vanguarda sempre esteve baseada nisso, nessa confusão que o artista faz em confundir as utopias com a realidade. Pode não ser nessa vida, mas o vanguardista deixa seu legado e faz da sua obra a estética (hábitos) para o futuro.

Que assim seja.


Abraço


Rafa; _)

pedroludgero disse...

Compreendo muito bem o que queres dizer.

Mas, neste momento, não seria capaz de afirmar algo tão taxativo como "a arte é a própria vida". Quero que me surpreendam com concepções diferentes do que é a própria "arte", e penso: se o cinema fosse todo como o Rohmer, não haveria o Scorsese; se fosse todo como o Scorsese, não haveria o Kiarostami; se fosse todos como o Kiarostami, não haveria o Oshima, etc.

Neste momento, eu diria que a minha arte se confunde com "irrisão". Mas espero regressar a um degrau de mais serenidade, e poder voltar a dizer que a minha arte se confunde, não tanto com a "plenitude" da vida (porque resisto a uma visão teleológica da História), mas com a sua VIRTUALIDADE.

abraço
Pedro