quarta-feira, abril 21, 2010

Confissão 28

Se alguma coisa aprendi com as ousadias e os erros do surrealismo, foi a ter respeito pelo inconsciente, seja lá o que isso for. Não quer dizer que pratique a escrita automática, da qual desconfio. Mas acredito realmente que a coerência mais férrea e a originalidade mais insuspeita de um texto literário são fornecidas por aquilo que nele não conseguimos controlar.

Daí que não estabeleça pontes entre a minha actividade de escrita poética e o meu esforço de reflexão sobre a poesia e a criação em geral (que é um esforço de índole assumidamente lógica). Há muitas dimensões da minha poesia sobre as quais nem discorro. E raramente tento aplicar um conceito teórico num poema.

Ponho-me, portanto, nas mãos da minha saúde mental. Espero não sofrer de múltiplas personalidades, e que as diferentes facetas da minha vida intelectual se relacionem umas com as outras com um mínimo de coerência aceitável.

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