domingo, fevereiro 07, 2010

Excerto de uma carta de amor 4

.......olhe, escrevo-lhe para lhe apresentar, de antemão e por mão própria, o príncipe que em mim mesmo sou. Nem imagina: vivo num mónaco interior de tal modo luxuoso que não me faltam pajens para apajearem as virtudes, aias para suspirarem pelas derrotas ou bobos para ocultarem a sordidez sob um manto de refinada ironia. Sapatos de cristal, vistas sobre a rivièra, boatos de paparazzo: tenho tudo isso sob a forma de desregulamentos de insulina, ousadias de colesterol, ou penosas dores musculares. Chego a pensar que sou mesmo o príncipe dos pedroludgeros, pois de outra coisa talvez não pudesse ser. Espero assim conseguir cegá-lo o suficiente para que, no nosso primeiro encontro, não precise de me engolir como quem engole um beijo........

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