quinta-feira, dezembro 10, 2009

Tradução 19

Poema "O palácio de Pã"
de Algernon Charles Swinburne,
traduzido por mim:





Setembro, glorioso com ouro, qual rei
.....No brilho do triunfo ataviado,
Mais claro que o estio, mais doce que Abril,
Os bosques incuba com asa infinita,
.....Presença querida do humano.

As terras pintadas p'lo sol posto e nado
.....Sob quente sorriso sorriem;
Mais nobre que um templo por mão levantado,
Coluna a coluna, o santuário se apruma
.....Das naves sem fim dos pinhais.

Um culto eloquente, sem prece ou louvor,
.....O espírito ocupa com paz,
Preenchida co'o sopro do fúlgido ar,
O odor, os silêncios, as sombras tão claras
.....Quais raios crescendo e cedendo.

Pilar's angulosos que coram longe e alto,
.....Com ramo nenhum para um ninho,
Sustêm o tecto sublime e cabal,
À prova do sol, do tufão, colossal,
.....Como águas paradas terrível.

Mão de homem jamais a sua altura mediu;
.....Razão também não, nem temor;
A trama do bosque em tal sombra é tecida;
O sol como um pássaro cai na armadilha,
.....E espalha, nevando, os seus flocos.

Plumagem só de ouro, tais flocos de sol
.....Repousam na terra aos montões,
Quais pétalas soltas de rosas sem c'roa
No chão da floresta sombrosa e dourada,
.....Corada tão perto e tão longe.

As mãos insondáveis de turvas idades
.....Ergueram o templo em retiro
P'ra deuses ignotos, e na ara queimaram
Os anos em pó, e as areias que o frasco
.....Do tempo esqueceu como indício.

Um templo que em milhas calcula os transeptos,
.....Que tem como padre a manhã,
Que livra o seu chão do pisar dos ineptos,
Sua música é a música só dos silêncios,
.....Bem mais que espectác'lo é a festança.

Sucedem-se as horas litúrgicas, nunca
.....O ofício nos vela ou revela,
Nas rampas das terras sem flor's nem verdura,
O encalço de um fauno, uma pista de ninfa
.....Até ao deus Pã em dormência.

O espírito, ateado p'lo pasmo e p'lo culto
.....Num êxtase sacro em braveza
Perante os tais rastos que fendem o rumo,
Só ele discerne se em torno dos quais
.....Existe uma prova do deus.

Com rubro temor mais profundo que o pânico
.....A mente rendida e inconcussa
Escuta a terrena e titã divindade
Nos passos sentidos em brechas vulcânicas
.....De abismos já sem o seu lume.

Por artes mais calmas que as negras magias
.....Da morte, da noite e de antanho,
Que o vil frenesi que assombrava o mei'-dia
Onde o Etna se forma dos membros gigantes
.....De deuses sem trono e sem vida,

Nossa alma fundida co' aquel' cujo sopro
.....Sublima o mei-dia do bosque
Suporta o fulgor da presença que fala
De coisas além, mais serenas que a morte,
.....De um Tempo que vence e que cala.



(o original pode ser lido aqui)

2 comentários:

petit paysan disse...

como dizem no brasil: barra pesada!

pedroludgero disse...

estes românticos...