terça-feira, julho 21, 2009

Relendo as "Illuminations"

Ao longo do seu diário, Etty Hillesum vai destrinçando aquilo que é mera flutuação dos estados de alma (acordar maníaca, adormecer depressiva, por exemplo...) das metamorfoses efectivas e definitivas que o seu espírito vai sofrendo. O seu discurso está contaminado com a ideia bem religiosa do trabalho de transformação interior, do upgrade moral consciente, com direito a recordes de santidade e pódiuns de literatura. É claro que Etty muda de facto ao longo do tempo, mas isso deve-se essencialmente à pressão psicológica da ameaça nazi sobre a sua mundividência.

Relendo, ao mesmo tempo, as "Iluminações" de um poeta que também preconizava o mergulho em si mesmo, mas numa direcção quase oposta, entro na celebração incandescente dos estados de alma. Ora quero o dilúvio, ora não quero. Ora faço das pontes música, ora as destruo. Ora sou operário. Ora sou rei.

Ora sou Rimbaud, ora Etty Hillesum.

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