sábado, julho 18, 2009

Com-cisão

1. Conforme vão sendo retirados os direitos elementares aos judeus da Holanda ocupada no ano de 1942, Etty Hillesum vai reduzindo o valor da vida a aspectos cada vez mais essenciais. De certo modo, a escritora acaba por sublimar aqueles pedaços de realidade que permanecem intocados pela opressão (num sentido oposto ao que foi enunciado por Kant para essa categoria estética). Para quem muitas vezes desejou viver num convento, a ironia trágica acabou por condenar Etty Hillesum à felicidade de uma vida frugal. Fê-la encontrar a existência simples que está na origem do discurso cristão (e cuja primeira traição é a existência do estado do Vaticano).

Tenho pensado imenso enquanto leio o estarrecedor diário desta mulher. Pensado em carne viva (meço bem as palavras). E apesar de viver num contexto histórico infinitamente mais benéfico que o de Etty (e de não ser crente), posso dizer que sinto uma certa empatia com esta predisposição existencial. Não digo que me satisfizesse com apenas pão, fruta e água cristalina (eu, que sou internauta e tudo...), mas há algo na complexidade superabundante da vida contemporânea (a começar na sua economia-para-a-qual-não-há-alternativa) que me provoca um profundo desconforto. Como se tivéssemos perdido a noção que fundamenta cada gesto que herdámos do passado.



2. A dada altura, Etty diz que, apesar de saber que mais tarde ou mais cedo vai ser enviada para um campo nazi, tem a certeza íntima de que há-de um dia fazer uma viagem até à Rússia. De facto, todos nascemos supondo, como Harry Potter, de que somos "the chosen one" das nossas próprias vidas. E todos temos certezas íntimas (evidências quase maternas de quando todas as coisas estavam nos seus lugares). Ora, a despeito dessa verdade interior, Etty Hillesum foi exterminada durante o Holocausto. Nunca foi à Rússia.

Basicamente, a vida não é para brincadeiras.

2 comentários:

Diogo disse...

Os pedacinhos de realidade:

Jon Stewart - Estes bloggers linchadores não têm credenciais, fontes, ética, editores ou responsabilidades... Não têm credibilidade, só factos!

Jon Stewart: Os repórteres internautas, ou bloggers, já são reconhecidos e agora, após terem desempenhado um papel fulcral na revelação do escândalo "Rather-gate", na CBS News, os bloggers arrecadaram mais dois troféus de Media. Por exemplo, Jeff Gannon, um repórter destacado para a Casa Branca cujo estilo jornalístico despertou a nossa curiosidade.

Os sites Ameriblog e Daily Kos investigaram este Jeff Gannon e descobriram que é também proprietário de sites pornográficos gay, incluindo o Hotmilitarystue.com, onde o seu perfil indica que ele tem, e cito: 1:80m, 90 quilos, cabelo castanho curto, olhos verdes, e um pénis com mais de 20 cm circuncidado.

Uma analista de Media da CNN revelou de que forma a CNN desvendou esta história.

CNN: Fizemos esta descoberta. Ou melhor, um dos bloggers fez a descoberta e nós soubemos através do blog "Ameriblog.com", um site liberal. Até mostrávamos as fotos, mas são ousadas e preferimos não o fazer.

Debate na Fox News: Quero voltar ao que disse o Bob. Você está a defender estes bloggers linchadores, que divulgam estas notícias, 1/10 das quais são inventadas? Eles não usam provas ou fontes fidedignas. É esse o jornalismo que advoga? Na sua maioria são pessoas que não têm credenciais, não têm fontes, ética, editores ou responsabilidades.

Jon Stewart: Ao contrário dos jornalistas dos canais por cabo que têm… credenciais! Com mais informações sobre o papel dos bloggers nos media, tenho aqui o nosso perito em media, Stephen Colbert. Stephen, fazes parte dos media tradicionais. És um repórter dos media tradicionais, qual é a tua opinião sobre estes repórteres dos novos media?

Stephen Colbert: Jon, a grande maioria dos bloggers são repórteres responsáveis que abordam temas de nicho de forma séria, como histórias sobre a séria "Gilmore Girls", truque giros que os seus gatos fazem, ou fotografias das personagens de "Gilmore Girls" vestidas de gatas. Até aqui, tudo bem. O que eu não posso é com os bloggers agressivos. Gente com computador que recolhe, compila e divulga factos verídicos, que depois são lidos pelo público. Não têm credibilidade, só têm factos. Poupem-me!

VÍDEO LEGENDADO EM PORTUGUÊS

pedroludgero disse...

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