terça-feira, março 17, 2009

Nota "Fragments"

Nunca tinha assistido a um espectáculo de Peter Brook, e presumo que não verei mais nenhum (que o homem não vai para novo).

Devo dizer que achei impressionante o trabalho sobre os textos de Beckett (que conheço bem), porque através de decisões (e subversões) muito, muito subtis, Brook conseguiu de facto renovar um pouco a maneira de encenar o teatro do irlandês (o que já me estava a parecer desesperadamente impossível, de tal modo é uma dramaturgia prevista ao milímetro).

Fiquei particularmente desconcertado com a encenação da peça "Rockaby". De repente, o texto de Beckett parece ainda mais luminoso, definitivamente mais claro, e as pequenas opções como, por exemplo, o substituir a usual cadeira de baloiço por uma cadeira normal, quase nos fazem suspeitar se o dramaturgo não se teria enganado em algumas das suas instruções de didascália...

Não apreciei tanto a versão de "Come and go". Brook optou por um registo demasiado burlesco (e eu ri imenso, como toda a gente na sala), que não me parece justo perante a ambiguidade nada revisteira do texto original. Beckett tem humor, sim. E algures no seu negrume se esconde uma pulsão solar. Mas tudo isto no extremo oposto da superficialidade.

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