terça-feira, fevereiro 03, 2009

Projecto 1

Recentemente comecei a escrever um novo livro ao qual, com descaramento, dei o título: "história(s) da poesia" (a roubar, que seja coisa de jeito).

O livro será composto por 49 metamorfoses de poemas de outros autores, anteriormente existentes. A partir de um texto primitivo mudado para o português por Herberto Hélder, ou de um texto de um poeta da minha geração, ou de um capítulo da "Divina Comédia", etc., escreverei um novo poema que agirá sobre o seu modelo como um teatro de sombras, um telescópio, uma escavação arqueológica, um improviso de jazz, um exercício de alquimia, uma mudança de estação ou um restauro.

De momento, estou a trabalhar no capítulo "Opificio delle pietre dure". Esta bela expressão italiana refere-se a uma oficina de restauro de arte que existe verdadeiramente. Pegarei em sete sonetos (de Petrarca, Shakespeare, Mallarmé, Rilke, Camões, Sá de Miranda e Camilo Pessanha) e construirei novos textos a partir deles que, mais do que formalizarem o referido restauro, terão as seguintes funções: rescrita, crítica, tradução, leitura, interpretação, ensaio, historiografia, anotação, actualização, revitalização, encenação, personalização, jogo, graffiti, ditado (com erros), cópia desonesta, plágio, parasitismo, homenagem, negação dadaísta, edição, declamação, raio X, micro-heteronímia, quem-conta-um-conto-acrescenta-um-ponto... Tudo menos modernização: nenhum dos textos precisa disso.

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