terça-feira, fevereiro 03, 2009

Momento Woody Allen

Os dois aspectos mais engraçados das fobias são a invulgar variedade com que elas existem no mercado (do medo da cultura japonesa ao medo das boas notícias, ele há de tudo) e a estranheza dos nomes com que baptizaram essas doenças de estimação, às quais nos afeiçoamos como a um gato ou a um casaco velho que nos garante conforto como nenhum outro.

Eu, por exemplo, tomo conta de dois bichinhos chamados aracnofobia e acrofobia (repare-se na preguiça do meu subconsciente escrevedor, que quase redundava em anagrama): aranhas e alturas, portanto. E ponham fobia nisso: se me quiserem matar com um ataque cardíaco, recorram à primeira, se o objectivo for obrigar-me a um suicídio involuntário, façam o favor de me pôr a lavar vidros no Empire State Building.

Ora, há pessoas que se curam dos seus medos. Valentes... Mas eu não as percebo. E pergunto: que indivíduo minimamente inteligente pagaria para no futuro deixar de ser sensível ao horror que no presente lhe provocam, com intensidade e evidência, as suas sublimes fobias? Se eu não posso ver uma aranha de um centímetro quadrado mexer as patinhas sem me lembrar de um nazi, e se acarinho esse medo como um filho, se quero estar sempre em guarda contra o Eixo do Mal, protejer-me do Demo como quem vende a alma cara, por que carga de água havia de me lobotizar até me tornar um pateta alegre que não sente o fogo a queimar o seu próprio corpo?

Eu, abandonar o meu bobby e o meu tareco?... Não há-de ser o filho da minha mãe que se vai armar em carapau de corrida.

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