quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Há tempo para a desilusão

Triunfante, o comentador António Vitorino anunciou que Barack Obama já conseguiu não cumprir uma das suas promessas eleitorais (a de um plano bipartidário para a resolução da crise económica). É natural que ele esteja feliz: vem de um partido traidor que, mesmo quando executa uma promessa, não a consegue cumprir.

No entanto, quer-me parecer que a dificuldade que Obama está a ter no seu projecto conciliador tem a ver com alguma má-fé por parte dos republicanos. Caso para dizer: vocês já lá estiveram, fizeram asneira, agora caluda.

Presumo que também não possamos atribuir a Obama a culpa das demissões de alguns membros da sua equipa com passados menos "clean". Obama não terá certamente o dom da omnisciência, e eu continuo a achar que ele é um homem de boa vontade. E de qualquer modo, o pessoal demitiu-se logo. Não estamos em presença de Fátimas Felgueiras.

No fundo, eu é que não confio em político nenhum. Mas aborrece-me ver esta gente reaccionária precocemente satisfeita com um falhanço que ainda não começou (e que lá há-de vir, pois assim é o mundo). E de qualquer modo, se estamos assim tão perto de bater no fundo como se diz, é melhor que haja um pouco de boa vontade de todas as partes.

Há tempo para a desilusão.

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