terça-feira, janeiro 13, 2009

Tradução 11

Poema "Quando outrora o cabelo do crepúsculo" de Dylan Thomas, traduzido por mim:


Quando outrora o cabelo do crepúsculo
Não mais fechava à chave o longo verme do meu dedo
Nem reprendia o mar acelerado no meu punho,
Mamava a boca-tempo, qual esponja,
Ácido lácteo em cada gonzo,
Chupava até secarem as águas do meu peito.

Quando mamado foi o mar galáctico
E o seco fundo seu foi destrancado,
Mandei minha criatura a explorar o globo,
O globo el' mesmo de cabelo e osso
Que, a mim cosido por miolo e nervo,
Meu frasco de matéria atara à sua costela.

Do seu coração fiz bomba-relógio,
E ele estourou qual pólvora ante a luz
Comemorando com o sol um sabatzinho,
Mas quando as 'strelas, assumindo forma,
Sortearam sono nos seus olhos com palitos,
Ele afogou as artes mágicas do pai num sonho.

Tudo broto blindado, do jazigo,
O cancro ruivo ainda vivo,
Sobre o seu pano cataratas de filme dos olhos;
Cadáveres desfaziam barbudas queixadas,
E bolsinhas de sangue soltavam suas moscas;
Ele tinha de cor o abecedário em cruz dos mortos.

O sono navega as marés do tempo;
Os Sargaços secos da tumba
Dão os mortos que neles há a esse mar operário;
E o sono ondula mudo sobre os leitos
Onde o manjar dos peixes nutre as sombras
Que florescem em periscópio até ao empíreo.

Quando outrora outra volta em parafusos do crepúsculo
Entesou como areia o leite mãe,
Mandei meu próprio embaixador p'ra a luz;
Por ventura ou travessura adormeceu
E uma forma de carcaça ele invocou
P'ra me roubar os fluidos no seu coração.

Acorda, meu dormente, para o sol,
Operário na vila matinal,
E deixa o estupefacto sicofanta onde ele jaz;
Estão por terra as vedações da luz,
Só não tombou quem cavalgou veloz,
E mundos pendem das árvores.


(O texto original pode ser lido aqui)

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