domingo, janeiro 18, 2009

O ornitólogo

Por vezes leio que: Olivier Messiaen foi um grande compositor, apesar de ter passado grande parte do seu tempo de composição a meramente transcrever o canto das aves.

Ora, quer-me parecer que Messiaen descobriu a metáfora latente em toda a História da música: a utopia do indivíduo humano como um ser absolutamente musical. Os pássaros só sabem falar cantando, e a música representa a ambição humana de chegar a esse estádio de desenvolvimento estético/político.

Quando Arnold Schönberg, um grande compositor, inventou o dodecafonismo, pensou que tinha descoberto o futuro de toda a criação musical. Enganou-se: a sua pólvora era apenas uma nova forma de ditadura (bastante gratuita, de resto), e se há música dodecafónica e serialista maravilhosa, isso deve-se ao talento dos que aderiram a esse jogo e que o superaram com a sua imaginação.

Se alguém descobriu alguma coisa essencial, foi Messiaen. Mas espero que o seu legado se mantenha uma excepção fulgurante, e não faça escola nenhuma.

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