domingo, janeiro 18, 2009

Nota "Valsa com Bashir"

A dada altura do filme de Ari Folman, alguém diz que sobreviveu à guerra através de um duvidoso processo de escape psicológico: concebeu, para cada momento de violência que estava a sofrer, a qualidade das imagens que aquela situação poderia proporcionar.

O facto do realizador de "Valsa com Bashir" defender que o seu filme só poderia ter sido feito em animação, parece-me indiciar que a sua estratégia foi precisamente essa: a de contar uma guerra (à qual se sobreviveu mal) a partir de grandes imagens, sublinhando a partir do argumento que essas imagens são um mecanismo de distanciação.

A mim parece-me que fazer um filme inteiro com as imagens que se pretende criticar é, ou uma inútil perda de tempo, ou uma infantilidade conceptual atroz. As melhores imagens da obra são os documentos do fim: mas essas não foram realizadas por Folman...

Em alguns momentos do visionamento do filme (a cena na foto, ou a sequência da Holanda nevada), as imagens pareceram-me tão sedutoras que me custava concentrar-me na tragédia que estava a ser narrada. A guerra como uma trip lírica? Não, obrigado.

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