domingo, janeiro 18, 2009

Jean Renoir - pas le patron




Há muitos anos atrás, fiz a exibição pública de um conjunto de cassetes de vídeo da minha filmoteca pessoal na Pastoral Universitária do Porto. Uma ilegalidade em nome do Senhor, portanto (não, não sou católico - de qualquer modo, já prescrevi). A coisa acabou depressa, porque ninguém estava interessado na História do cinema.

Uma dessas sessões foi composta por três curtas-metragens que me pareceram ter um obscuro sentido de continuidade entre si: "Une partie de campagne" de Jean Renoir, "A agência matrimonial" de Federico Fellini e "O milagre" de Roberto Rossellini. No fim da projecção, os pastorinhos mostraram um grande interesse pelo filme do Rossellini (o que, de resto, seria de esperar), e desprezaram as outras duas obras (curiosamente, a curta do francês é, das três, a que maior consenso histórico gerou).

De qualquer modo, isto tem muito a ver com Renoir. É um cineasta que nunca fez um filme que ostentasse a pretensão de ser um filme sério, um filme importante (mas também nunca fez uma inanidade de mula fingida). Se os hollywoodianos são predadores das emoções do espectador, muitas vezes os candidatos a autor são predadores da sua aprovação. Jean Renoir nunca nos esfregou o seu génio na cara - ele pede apenas a nossa generosidade.


(Na imagem: "Elena et les hommes", filme desprezado)

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