domingo, janeiro 11, 2009

Evidências bombásticas

Recuso qualquer tipo de cinismo (com mais ou menos pós sobre ele).

Para que o indivíduo não prossiga a sua vida individual num relativismo sem ética, é preciso que todos os seus pensamentos sejam universais. Ou seja, é preciso que ele sinta que tudo aquilo que pensa pode ser aplicado a qualquer outro indivíduo da sua espécie. No entanto, como a racionalidade das palavras não funciona da mesma maneira que a racionalidade dos números (esta funda o conhecimento, aquela é fundada pela ignorância), é preciso que as proposições universais do indivíduo não sejam necessárias. Dito de outro modo, o indivíduo não pode presumir que todo o pensamento não pode deixar de ser como o seu (sob pena de totalitarismo). A racionalidade das palavras (das humanidades, precisamente) é uma racionalidade humilde.

Para que a sociedade permita a realização de cada um e de todos os seus indivíduos (para que, nomeadamente, lhes garanta a liberdade a partir do momento em que eles passam a fazer parte de um número) é forçoso que os conceitos que lhe dão coerência ética sejam ao mesmo tempo universais (que sirvam para todos os seus membros) e necessários (que nenhum dos seus membros possa arrogar-se o direito de agir segundo outros conceitos que não aqueles que garantem a dita liberdade individual).

A política não é a técnica de lançar bombas, mas a arte de congregar os Homens em torno de evidências. Sob pena de totalitarismo.

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