sábado, dezembro 13, 2008

Polis (semia)

Desde cedo, os professores ensinam às crianças que, para definir um conceito, é preciso usar outros conceitos que estejam fora do conceito a definir (que com ele não se confundam).

Mesmo que se queira definir a palavra "carro" através dos seus componentes materiais, a verdade é que o "pneu", o "motor", a "jante" ou o "tubo de escape" serão tomados, na definição, como objectos abstractamente distintos do objecto "carro". E isso só é possível porque o real fornece a possibilidade (quanto mais não seja teórica) dos pneus, motores, jantes ou tubos de escape existirem fora de um automóvel.

A vida, como qualquer outra coisa, terá o seu sentido. No entanto, o sentido não é cognoscível na medida em que não conseguimos conceber nenhuma coisa que possa existir fora dela. Mesmo a morte só a conhecemos enquanto um momento da vida. Não temos palavras (conceitos e objectos a que eles se refiram) para definir o sentido da vida. Só podemos definir a vida com a mesma redundância de uma criança ("a vida é viver").

E como não podemos conhecer o seu sentido, também não podemos tomar consciência de qual é o fim da vida (qual a sua utilidade, ou função). Sabe isto quem já consultou um dicionário. Sabemos apenas que o corpo (corpo físico e corpo psíquico), no seu funcionamento espontâneo, luta para atrasar a morte o mais possível.

Sabemos apenas (e isto é apenas ignorância) que o fim (finalidade) da vida é afastar o seu fim (conclusão). É o princípio da Política.

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