segunda-feira, dezembro 22, 2008

Partilha 42

(Os poemas deste ciclo órfão deveriam funcionar como improvisos de jazz que traduzissem sempre uma metamorfose)



mais lento do que a própria sombra


apenas raspando a bota com o lápis, ele inflama uma canção. para além disso, monta o seu unicórnio como se este não passasse de um cavalo. diz a lenda que a sua última paragem é o sol. mas não é bem assim. o problema é que a sua virilidade já tem os dias contados: mal o corno toque no astro frágil como um papiro, o poeta perderá ferro e vapor. um curto desvio, vencido a custo, vencido a pé, e ele chegará a uma estação aparte. aí, tomará outra alimária, e comecará outro caminho. mais crítptico, mais hieroglífico, mais hierático, mas um caminho.

2 comentários:

Amet disse...

Li este texto e lembrei-me:
Tens de ler um texto absolutamente maravilhoso (e bastante a tua cara), que saiu na ultima revista NADA.
Intitulado A definição da arce como forma de marcus steinweg.
Julgo que vais adorar.
abraços

pedroludgero disse...

Obrigado pela sugestão.

Abraços