terça-feira, dezembro 09, 2008

Dizem-me que sou chato

A despeito da minha opinião anterior, penso que há de facto uma diferença entre o cinema de autor e o cinema comercial (uso esta terminologia algo vazia apenas para me fazer entender).

Qualquer filme é produzido com o objectivo de atingir a maior audiência possível. J.-M. Straub e A. P. Vasconcelos têm os mesmos ideais de popularidade.

Simplesmente, quando o filme de autor falha na bilheteira, ele continua a ter como âmbito a maior audiência possível (na medida em que esse âmbito não se confunde com a imediata eficácia financeira). E, na verdade, como o seu destino é a expansão no espaço e no tempo, a virtualidade dessa popularidade tende a crescer sempre, independentemente do primeiro impacto mercantil que o filme tenha tido.

Pelo contrário, o filme comercial, se falhar na bilheteira, passa a ser um filme que falhou na bilheteira, um filme que não conseguiu atingir uma audiência relevante. É um filme condenado à impopularidade, ao desprezo do espectador.

Isto não é um sofisma.


(Nota: tal não impede que quase tudo seja excepção a esta dicotomia teórica. A verdade é que há filmes de autor que são verdadeiros sucessos comerciais, há filmes de autor profundamente medíocres, há filmes feitos com intenções comerciais que se ultrapassam a si mesmos, há cineastas que tentam trabalhar na fronteira entre as duas posturas - se bem que Hitchcock, como todos os grandes criadores, seja inimitável e irrepetível, e etc., e etc.)

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