terça-feira, novembro 11, 2008

Um pouco de política

1. Como todos os opinion makers de direita, Luís Delgado costuma gabar-se da sua profunda experiência de vida política. Ao que parece, é o único jornalista português que alguma vez acompanhou por dentro uma campanha eleitoral americana. É, portanto, o nosso especialista em colonoscopia política. De vez em quando até janta com Luís Costa Ribas, outro homem experiente, e ah!, quem me dera ser mosca para os ouvir discutir maquiavélicas verdades entre duas charutadas. Mas será esse profundo conhecimento da natureza humana, essa sageza sem ilusões, essa tarimba à prova de toda a ingenuidade que o leva a apoiar um político como Santana Lopes?... Aliás, terá sido essa mesma tarimba que levou McCain a escolher Sarah Palin para sua vice-presidente, ele que tinha como principal capital político a sua maior experiência governativa quando comparado como Barack Obama?

A causa desta minha mal-educada irritação deve-se à insistência que os comentadores conservadores têm manifestado para que haja uma reconciliação entre a anterior governação do Tio Sam e o executivo que em breve tomará posse na Casa Branca. Reconciliação? Quando George W. Bush atingiu o maior nível de impopularidade de sempre na história presidencial norteamericana? Normalmente sou um indivíduo conciliador, mas aqui, francamente, abro uma excepção. Trata-se de um político que, para além de uma irresponsabilidade económica gritante (cujos efeitos nos afectarão a todos), iniciou uma guerra contra a vontade de grande parte da opinião pública internacional. Repare-se que não se trata de uma bagatela como impor um sistema de avaliação de desempenho dos professores que é uma nulidade... Não. É mesmo iniciar uma guerra (parece coisa grossa, não?). Ainda por cima, o confronto bélico foi fundamentado com um conjunto de mentiras que hoje são do conhecimento de toda a gente. Pergunto-me é se, quanto mais não seja por causa dos milhares de soldados no pino da juventude que desnecessariamente morreram (já nem falo dos iraquianos, nem do desrespeito pela dita opinião pública: a democracia, já se sabe, é um fogo-fátuo), isto não seria passível de julgamento criminal. E vêm falar-me de reconciliação?



2. Por preguiça incorrigível, não acompanho as politiquices do nosso condado. Muito menos me mantenho a par das diatribes dos meninos guerreiros que tomam o condado por incubadora da sua futura glória. Mas houve um dia em que, por estar a jantar com a televisão ligada, ouvi Pedro Santana Lopes reclamar a superioridade do seu projecto para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa de acordo com a actividade que já lá realizou em anterior mandato. Ouvi-o afirmar que, se alguém decidisse percorrer o trajecto das obras que ele efectuou em Lisboa, precisaria de vários dias de caminhada. Obras, portanto. Será que Lisboa, durante a sua governação, se tornou um lugar mais habitável? Menos poluído? Mais limpo? Com trânsito mais fluido? Com o centro mais frequentado? Com comércio mais aliciante? Mais seguro? Menos sujeito à corrupção pública e privada? Com uma cultura mais pujante? Mais chamativo para o turismo? Que importa isso, perante a costela de empreiteiro de Santana Lopes? Se eu vivesse em Lisboa, ao ouvir este discurso de arquitecto de bancada, já saberia em quem não iria votar.

2 comentários:

paysanxxi disse...

jantar com a televisão ligada?! és louco, homem? isso é ainda mais temerário do que ir tomar banho à praia depois de um farto cozido à portuguesa.

pedroludgero disse...

serei mais inconsciente do que temerário. de qualquer modo, só tomo banho em televisões tropicais...