domingo, novembro 16, 2008

Tradução 10

Vejo os rapazes de verão


I

Vejo os rapazes de verão na sua ruína

Depreciando dízimas de ouro,

Desvalorizando colheitas, gelando solos;

Ali no seu calor que o inverno inunda

Com frígidos amores buscam moças,

E a carga das maçãs em suas marés afundam.


Rapazes de luz que coalham na loucura,

Azedando o mel em fervura;

Tocando os seus homens das neves nas colmeias;

Ali no sol sustentam nervos

Com fios glaciais de dúbias trevas;

Nos seus vazios a lua emblemática é zero.


Vejo os meninos de verão nas suas mães

Partindo os rijos climas uterinos,

Com mãos de fada dia e noite separando;

Ali na sombra funda e esquartejada

Com lua e sol os diques mátrios pintam

Como o sol pinta a carapaça dos seus crânios.


Vejo que dos rapazes só homens de nada

Vão crescer por germinação danada,

Ou mutilar o ar com cios fulgurantes;

Ali dos corações o canicular pulso

Com luz e amor explode nas gargantas.

Oh vede a pulsação do verão no sincelo.


II

Mas afrontemos as estações ou elas caem

No quarto consonante

Onde, pontuais de morte, tangemos as estrelas;

Ali, na sua noite, o homem hiberno

Maneja os carrilhões de língua negra,

Nem recobra da lua-e-meia-noite o alento.


Convoquemos, nós, escuros negadores,

De uma mulher de verão a morte,

Musculatura de amantes na sua cãibra,

Dos claros mortos que alagam o oceano

Verme radioso em lanterna de Davy,

E do ventre sementado o homem palhaço.


Rapazes de verão quatro ventos dobando,

De um ferro de algas esverdeados,

Vertemos aves do mar ruidoso que erguemos,

Tomamos o globo de espuma e vaga

P'ra afogar nas suas marés os desertos,

E penteamos jardins públicos em grinalda.


Co'azevinho cruzamos as testas vernais,

Ora bolas p'ra o sangue e baga,

E pregamos nas árvores ledos fidalgos;

Cá seca e morre o músculo do amor,

Pedreira em desamor que um beijo estala.

Oh vede os pólos da promessa nos rapazes.


III

Eu vejo-vos rapazes de verão em ruína.

O homem como larva baldia.

Rapazes inteiros e estranhos no marsúpio.

Sou o homem que o vosso pai foi.

Somos filhos de sílex e hulha.

Oh vede a cruz que os pólos fazem no seu beijo.


Dylan Thomas (tradução minha)


(O texto original está aqui)

1 comentário:

Porfirio Silva disse...

Traduzir é escrever de novo.
Obrigado pelo serviço.