quarta-feira, novembro 19, 2008

Know why (post humilde)

Por vezes receio que as minhas diatribes contra aquela arte contemporânea que secundariza o papel da pintura sejam interpretadas como nostalgias-do-restelo.

Que fique aqui gravado que eu não tenho nada contra novos suportes, e que sou a favor de todos os esforços de emancipação e pesquisa criativa. O que acontece é que, para além de eu ter sempre algum pudor em deitar coisas ao lixo (a não ser que elas sejam tóxicas), acho estranho que, a partir de certa altura, os artistas plásticos tenham quase todos perdido o gosto de pintar. Como se quase todos tivessem mudado a sua orientação sensual.

Vejo por mim. Eu gosto de poesia. Mais exactamente: eu gosto de escrever poesia. É claro que eu posso continuar a ser poeta quando escrevo um romance, quando concebo uma performance, quando cuido da horta ou faço amor. Mas nunca me passaria pela cabeça deixar de escrever, por obediência à ideia (peregrina?) de que nada de novo pode ser expresso por via da escrita.

Basicamente, eu não estou interessado no título (nobiliárquico) de Poeta. Talvez seja falta de ambição (talvez não), mas eu quero é prolongar o irredutível (e tenebroso) prazer de escrever. Poesia.

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