quinta-feira, novembro 27, 2008

eXistenZ

A pergunta "será que o mundo existe?" é daquelas que dão merecida má fama à filosofia.

No limite, podemos indagar se esta existência que conhecemos é a existência mais radical (e não apenas um sonho ou uma sombra da verdadeira existência que permanece ailleurs), ou se queremos continuar a usar a palavra "existência" para designar essa insofismável sensação. A dúvida metódica de Descartes tem mais valor como ética filosófica do que como princípio filosófico (isto não é uma subtileza).

O corpo, com todas as suas evidências, é uma espécie de regulador do absurdo (e o pensamento racional nunca pode cair no absurdo). Ou seja, os filósofos que se ponham a polemizar em torno do assunto se assim o pretenderem, mas o meu estômago, o meu pulmão, o meu pénis, o meu rim, o meu intestino, o meu cansaço, a minha dor, o meu sono, o meu inconsciente, todos eles gritam em uníssono: o mundo existe, o mundo existe, o mundo existe. Não é preciso perder tempo a tentar rebater imbecis.

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