domingo, novembro 23, 2008

Bem-ser

Quando os acólitos do capitalismo defendem que, por causa desse sistema de organização da economia, o mundo conheceu um período de bem-estar inédito na História, estão a esquecer-se de completar a ideia (deve ser apenas esquecimento).

Em primeiro lugar, esse bem-estar foi conseguido à custa de um excesso que transtornou a Natureza, colocou em risco o equilíbrio climático, esgotou os recursos, e que acima de tudo não poderá ser mantido indefinidamente (há aqui um egoísmo trans-geracional). O facto de uma das doenças mais prementes do mundo ocidental ser a obesidade só mostra a que ponto a palavra bem-estar tem de ser proferida com pinças que não ofendam o absurdo. Ou seja, não sei se estamos a viver em bem-estar, ou em bem-consumir.

Mas o pior de tudo é que não há capitalistófilo que não saiba que, se os milhões de chineses, indianos, brasileiros e africanos que povoam o planeta tivessem acesso ao mesmo bem-estar que nós temos (todos com um automóvel por membro familiar, a fazerem a sua viagem anual às Caraíbas, a comer sushi e marisco, etc.), a situação económica (por definição, a gestão da escassez dos recursos) tornar-se-ia insustentável. Ou seja, o bem-estar glorioso só resulta porque pertence a uma pequena parcela da humanidade.

Isto é absolutamente óbvio. Não me parece que os conservadores ideológicos precisem de o ocultar cobardemente para fazerem valer o seu pensamento.

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